<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306</id><updated>2012-02-02T05:06:31.009-08:00</updated><category term='jesus mundo maravilha terra magazine daniel bramatti entrevista newton cannito'/><category term='patrícia rebello docblog documentário carlos mattos alice mundo maravilha jesus doc tv newton cannito'/><category term='mundo maravilha jesus conversão pereira deus'/><category term='Newton Cannito Carlos Alberto Mattos doc tv Jesus no Mundo Maravilha Cultura TVE'/><category term='exoneração polícia demissão Jesus'/><category term='palhaço maravilha polícia nóia tv'/><category term='vídeo youtube lúcio polícia são paulo charles bronson itaquera'/><category term='marcelo coelho jesus mundo maravilha folha são paulo debate gafanhoto'/><category term='demissão polícia jesus'/><category term='Entrevista Jesus Mundo Maravilha Newton Cannito Luiz Zanin'/><title type='text'>Jesus no Mundo Maravilha</title><subtitle type='html'>Blog pessoal do filme Jesus no Mundo Maravilha e outras histórias da Polícia Brasileira.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-2966430743521337218</id><published>2011-04-07T05:51:00.000-07:00</published><updated>2011-04-07T05:58:10.333-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista Jesus Mundo Maravilha Newton Cannito Luiz Zanin'/><title type='text'>Ética e Humor: Entrevista com Newton Cannito</title><content type='html'>Entrevista concedida para o blog do Luiz Zanin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma das mesas de debate do É Tudo Verdade (Ética e Humor) reúne Newton Cannito, Jean-Claude Bernardet e Marcelo Tas. Cannito é autor de dois filmes provocativos e que causaram muita polêmica: Jesus no Mundo Maravilha e Violência S/A. É preciso vê-los. Mas posso adiantar que tratam de temas graves como a violência urbana, corrupção policial, o sentimento de medo da classe média, sempre em chave não convencional. Usam a paródia, o humor (muitas vezes desconcertante), a ironia e mesmo o sarcasmo como formas de problematizar reações estereotipadas. São filmes discutíveis – e isso é um elogio. A minha ideia era fazer uma grande matéria para o jornal, mas não foi possível. Vai no blog. Entrevistei Newton Cannito. Perguntas e respostas seguem abaixo. Façam bom proveito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por que você escolheu essa aproximação aos graves problemas através do humor? Acha mais eficaz? Como é que você fundamenta isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro porque eu queria despertar o choque. Sair da mesmice da representação cotidiana. São temas e imagens muito vistos na televisão e no documentário na forma de drama social. Essa forma foi tão repetida que perdeu o impacto. Para revelar novamente essa realidade cruel era preciso mostrá-la em uma forma nova. A escolha do humor veio daí.&lt;br /&gt;No “Violência s.a.” nossa maior referência foi o satirista Swift, de “Panfletos Satíricos”. Partimos da contradição de que a violência começa a ser um mercado e começa a enriquecer pessoas. Essas pessoas tem interesse pessoal no aumento da violência e geram uma cultura do medo. E então fizemos o filme a partir da pergunta: como ganhar dinheiro com a violência? E quais os absurdos que isso gera. Tal como Swift e Kurt Vonegut trabalhamos com a revelação de lógicas sociais absurdas.&lt;br /&gt;Mas eu acho que a grande questão é que nosso documentário precisa saber trabalhar mais com os gêneros dramáticos. Nosso cinema tem muito medo de trabalhar gêneros. Mesmo o docudrama é pouco trabalhado.  João Batista de Andrade é, para mim, o principal documentarista brasileiro. Ele fez docudramas maravilhosos, como Caso Norte e Wilsinho Galileia. Mas hoje é também acusado de ser antiético por explorar os personagens. Nosso documentário constrói mal personagens por conta desse desprezo e desconhecimento da teoria dramatúrgica. Nosso documentario  atual está muito retorico /discurso e pouco dramático. Acredito que nosso documentário tem que reaprender a trabalhar com gêneros sem preconceito. Ou vai ficar muito homogêneo.&lt;br /&gt;Jesus no Mundo Maravilha, por exemplo, começou sendo um projeto totalmente diferente. Era para ser um docudrama, chamado Fatalidade, que trabalhava com o formato da tragédia moderna. Mas foi impossível fazer esse filme, pois o policial que assassinou o filho da mãe entrevistada não foi autorizado a filmar. Parti então para entrevistar policiais exonerados.  Quando vi o universo do parque, no primeiro dia de gravação, tive a idéia de mudar o gênero do filme. Deixou de ser um docudrama e virou uma docufarsa, aí entrou o humor. Foi a solução para esse filme. Pode ter outra solução para outros filmes.&lt;br /&gt;O importante é nosso documentário aprender a trabalhar com gêneros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por fim, você acha que o documentário bonzinho, aquele que trabalha com total empatia e cumplicidade com os personagens já não produz mais efeitos? Produziu algum dia? O Jean-Claude costuma dizer que o documentarista brasileiro não tem coragem de contestar seus entrevistados. Concorda?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nada contra documentário bonzinho. O nome disso é institucional. Pode ser institucional de pessoas, mas é institucional. Eu já fiz uma vez, fui contratado e fiz. Acho normal, mas se puder não faço mais. É chato.&lt;br /&gt;Acho que esse tipo de documentário nunca produziu efeitos e não é arte.  É propaganda. Pode ser propaganda de pessoas, de grandes artistas , mas é propaganda. Boa parte do cinema documental brasileiro de hoje poderia passar no People and arts. Eu não me interesso por isso. &lt;br /&gt;Quanto a afirmação  de Jean claude. Sim, é isso mesmo. Nossos documentaristas viraram puxa sacos de seus entrevistados. É típico de institucional.  Temos que superar essa fase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A questão da ética é clara para você? Por exemplo, alternando a fala dos policiais com a daquela mulher que chora a morte do filho, o que você busca causar no público?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sim, tenho muito claro a questão ética.  No caso desses meus dois documentários que dirigi  o que busco é explicitar os conflitos sociais. Trazer a tona verdades ocultas, preconceitos que nossa sociedade quer esconder debaixo do tapete.  Preconceitos que temos em nós mesmos. É uma ética que busca despertar o público de sua apatia. Meus filmes trabalham com estéticas/éticas que estão mais próximo das vanguardas, da obra de Eisenstein (cine-punho) ou do teatro da crueldade do Artaud.&lt;br /&gt;O debate ético sobre documentário no Brasil ainda é tacanho. Ele se restringe a debater a figura do entrevistado. É muito pouco. A conclusão dos estudiosos de documentário é que o realizador deve “tratar bem” a pessoa entrevistada para não magoar a “vitima” entrevistada.  Isso para mim é uma confusão entre ética e etiqueta. A etiqueta é a ética da elite. É a ética do bem educado, que interessa a manutenção do status quo. Existem outras éticas. Na verdade, cada filme tem uma ética própria. Além disso, esse raciocínio de que o entrevistado é uma “vítima” indefesa do diretor tirânico é arrogante (supervaloriza o diretor e a importância do cinema), melodramático e paternalista.  Os entrevistados de meus filmes não são nada bobos e não da para encaixá-los como vitimas indefesas. E – apesar de ter “zombado” de alguns deles – não destruí a vida de ninguém.&lt;br /&gt;Para mim não existe arte sem conflito.  E um dos conflitos do filme é sempre entre o diretor (narrador) e o personagem. Sempre haverá uma interpretação. O “personagem” sempre será interpretado pelo narrador.&lt;br /&gt; Tem, no entanto, algumas diferenças:&lt;br /&gt;a)      Alguns não gostam de deixar claro que fazem uma interpretação do personagem.  Preferem se fingir neutros, imparciais. Um exemplo, eles não explicitam um corte brusco no filme como eu costumo fazer. Mas eles também selecionam perguntas e escolhem o que editar. Estão também construindo personagens. Mas preferem se fingir de neutros. Eu prefiro deixar bem claro ao público que o diretor existe e interpreta.  Faz parte da minha ética explicitar as manipulações que faço. Acho melhor explicitá-las do que escondê-las sobre um verniza de imparcialidade, falsamente justa.  Pois assim o público terá mais liberdade de concordar ou não comigo.&lt;br /&gt;Mas não sou como os que me criticam e não gosto de acusar os outros de serem antiéticos. Eu não acho que quem faz filme diferente de mim é anti-éticos. Só acho que eles tem outra ética (a da etiqueta). Acho normal. Faz parte da minha ética não ficar por aí afirmando que os outros são antiéticos.&lt;br /&gt;Nem os personagens, nem os outros documentaristas.&lt;br /&gt;Quem gosta de afirmar que o outro (diferente dele) é antiético é, na verdade, um moralista. Nos anos 60 isso era claro: eram o pessoal da moral e bons costumes! Agora eles se disfarçaram de guardiões da ética. É a mesma coisa.&lt;br /&gt;b)      Eu gosto de personagem complexo e com conflito interior.  Ou seja, o personagem (documental ou ficcional) tem que ter um lado negro. Sempre! Seja “mocinho” ou “bandido” (na verdade , não trabalho com isso de mocinho ou bandido).  Todos tem lados negros e todos tem sua ética própria. Podem merecer ser presos pois fizeram coisas ilegais. Mas tem também sua ética própria.  Isso de ficar escondendo lado negro de personagem para “respeitá-lo” não me interessa artisticamente. &lt;br /&gt; E por fim, é preciso dizer. Não da para fazer um filme pensando o tempo todo na futura ética (ou moral, como eu já disse) do filme. Isso é auto-patrulhamento moralista. Fala-se muito da “responsabilidade” necessária ao documentarista. Mas ninguém lembra da necessária irresponsabilidade! Da necessária loucura e entrega que um artista deve ter ao realizar seu trabalho. Não existe arte que na criação fica o tempo todo se controlando.&lt;br /&gt;O cineasta deve ser um xamã. Para revelar a realidade ele tem que descer aos infernos. Para que o monstro se revele o cineasta não pode julgá-lo o tempo todo. Tem que deixar aflorar no momento da filmagem. Depois pode comentar no momento da edição. Foi o que fiz (ao lado de Saad e Benaim), por exemplo, na entrevista com Erasmo Dias e com os “bandidos” no documentário “Violência SA”. E foi o que fiz com todos os personagens do “Jesus no Mundo Maravilha”. Se você fica o tempo todo julgando o “outro” a partir de sua própria ética você não deixa a verdade aparecer. Nisso, o diretor do filme documental, tem que ser como qualquer bom ator. Todo bom ator sabe que tem que amar o personagem. Mesmo se ele for um “vilão”. O que faz a ética do filme, no entanto, não é apenas a entrevista e o personagem. No momento da filmagem eu gosto de estar ao lado do meu entrevistado, seja quem ele for. Ali, eu sou ele, nós dois somos o mesmo. Mas depois, na montagem e edição de som, eu recupero minha opinião e afirmo minhas posições sem ter dó de ninguém. Não sou paternalista e não que preciso cuidar de meus entrevistados. Respeito eles,  são adultos e assinaram cessão de direitos. Não acho o diretor um superman que vai acabar com a vida de um entrevistado. Acho esse raciocínio, aliás, bem arrogante. Prefiro me considerar um colega dele de vida e quero debater com ele como uma pessoa adulta, inclusive minhas diferenças éticas.  Eles não são fragéis. Se me autorizaram a filmar eles sabem que tem algo ali, sabem desde o inicio que vou construir a imagem deles na edição. E aceitam esse pacto, por interesse próprio.&lt;br /&gt;Por fim , é também necessário dizer: nunca existiu um bom filme que não tencionasse a ética. Pode rever a história do documentário. Todo grande cineasta tencionou a ética da época. Pois é só tencionando a ética é que o filme choca. A função da arte é trazer a tona o inconsciente, é mexer nisso, é mostrar a verdade oculta. E ao fazer isso ela ajuda até mesmo a reformar a ética daquele momento e fazer a sociedade evoluir.&lt;br /&gt;Não é função do cineasta ser bonzinho. Se você quiser ser bonzinho é melhor ser dono de “Ong”. Também não é função do cineasta apresentar as soluções.  Vamos deixar isso para os políticos. A função do artista é revelar o mundo ao público, inclusive as parte negras do mundo. Que são também parte negras de nós mesmos. Por isso, incomoda. Mas é essa a função da arte.  Remexer nas entranhas de nossos piores delírios, trazer nosso inconsciente para a arte, para aí melhorarmos todos.&lt;br /&gt;O artista para mim é como um xamã: ele tem que descer aos infernos para ajudar na cura das loucuras, seja elas coletivas ou individuais. Essa é minha ética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Um documentarista como o Eduardo Coutinho parece trabalhar com um profundo respeito pelos personagens? O que acha da postura dele? E qual a sua forma de trabalho e em que ela se difere de outras? Visa alcançar resultados políticos (no sentido amplo do termo, claro) com esse tipo de documentário de choque?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não acho que Coutinho faça isso que  os críticos acham que ele faça. Coutinho é muito melhor que seus críticos.  E – obviamente – muito melhor que os cineastas que tentam copiá-lo a partir da leitura simplificada dos críticos. Coutinho mostra a complexidade dos personagens e – em seus melhores momentos – explicita momentos aonde eles chegam próximos ao patético.  Nem sempre acerta, mas tem ótimos momentos disso, em tom de comédia melancólica. São momentos muito humanos, maravilhosos.  &lt;br /&gt;Outros momentos, Coutinho faz ironias machadianas.  O filme aonde isso mais se evidencia é Teodorico- Imperador do Sertão (que é meu filme preferido do Coutinho). Nele Coutinho dá a voz ao personagem do coronel,  mas é irônico com a câmera. Ali o narrador(diretor) denuncia o personagem. E outros filmes ele não faz mais ironias com a câmera, mas revela momentos complexos dos personagens. Já em  outros filmes, ele acreditou demais na análise de seus analistas, e seus filme ficaram – infelizmente – meio amorfos.&lt;br /&gt;E sim, o objetivo dos documentários que fiz é sempre politico. Isso fica mais claro no “Violencia” e “Jesus…” que são sátiras sociais. Mas também é presente no “Alo Alo Terzinha”, filme do Nelson hoineff sobre o Chacrinha, que fiz o roteiro. Quando Hoineff me chamou para escrever o roteiro e o projeto do “Alo Alo Terezinha” tivemos claro desde o início que não devíamos fazer uma biografia tradicional.  Acredito que a melhor forma de neutralizar um personagem contestador é fazer um documentário careta sobre ele. Não queríamos neutralizar o Chacrinha, queríamos revive-lo.  Chacrinha merece do que virar um velhinho louco do People and arts. E aí o filme seguiu outro caminho.  Tal como o Coutinho no Cabra Marcado para Morrer, decidimos revisitar os personagens dos anos 70. “Alo Alo Terezinha” foi o “Cabra Marcado” da indústria cultural.  A crítica – que finge gostar de Chacrinha porque ele já morreu e não tem mais perigo –  não gostou do filme.  Acusou de ter zombado dos personagens. A questão é que não existe humor a favor. O humor – desde o bufão, ou o palhaço, sempre zomba de nós. Se for um bom humorismo ele – ao zombar de um tipo social – nos incomoda e revela coisas sobre nós também.&lt;br /&gt;E, voltando a falar de política, considero o “Alo Alo Terezinha” um filme que revelou a crueldade da indústria cultural. Um tema fundamental e que também esta presente em meus outros trabalhos. Em “Violência s.a” investigamos como programas sensacionalistas difundem um pânico excessivo na população. E em “Jesus…” o tema esta presente no personagem do palhaço, que representa a mania moderna de todos quererem aparecer na tv.&lt;br /&gt;O interessante é que os críticos atacam os documentários de humor atuais usam os mesmos argumentos dos críticos conservadores que atacavam o Chacrinha nos anos 70.  O politicamente correto já existia naquela época, mas era chamado de direita conservadora.  O que acho mais estranho é as pessoas dizem que gostam do Chacrinha, mas afirmam que “Alo Alo Terezinha” é antiético. Porque Chacrinha podia fazer no passado e não podemos fazer mais hoje?  O Chacrinha, ok, pode fazer isso, pois já morreu? É isso?&lt;br /&gt;A mostra Risadoc serviu para catalisar esse debate. Eu e Eduardo Benaim resgatamos vários casos de documentários brasileiros (alguns clássicos como “Iracema” e “Teodorico”) que trabalham com humorismo. Os clássicos são aceitos, mas neutralizados. Seu potencial de polêmica e crítica social pelo humor é esquecido. Já os filmes mais recentes são desconsiderados no debate sobre documentário brasileiro, que ficou muito centrado na estética do Coutinho. Ou melhor, na forma limitada que a estética de Coutinho foi interpretada pelo Escorel e pelo João Moreira Salles. Isso tem reduzido a diversidade de nossa expressão na estética documental.  Eu até gosto dos filmes do Salles e de alguns Coutinho. Mas não posso aceitar que isso seja a única forma de fazer documentário. Nosso objetivo com esse debate é que os cineastas liberem sua criatividade e aprendam a trabalhar com todos os gêneros e formatos possíveis, escolhendo o mais adequado ao objeto que vai ser representado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por parte de quem você foi patrulhado? Pela turma do politicamente correto, à direita ou à esquerda no espectro político?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Eu acho que eles estão à direita. Eles se consideram a esquerda. É curioso ver como a esquerda virou politicamente correta e anti-contestadora. Eles se consideram de vanguarda e aí seguem o que eles consideram as “regras da boa vanguarda”. Parece que “Tudo muda, menos a vanguarda”.&lt;br /&gt;No caso do “Alo Alo Terezinha” um crítico chegou a propor o que ele chama de “interdição critica”.  Ali ficou claro para mim que existe um movimento meio oculto de evitar debater com os filmes que esse grupo hegemônico considera “antiéticos”.&lt;br /&gt;A grande maioria dos filmes que eu curto são ignorados e/ou tachados de antiéticos e ponto final. O debate para aí. Os filmes não são selecionados para festivais e não são debatidos. Apenas “Alo Alo Terezinha” (por ser longa-metragem e agradar o público) e “Jesus…” romperam essa barreira. E aí foram acusados e ponto final.  Apenas agora estamos conseguindo debater os filmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de “Jesus…” o filme foi ignorado por um bom tempo, um silêncio sepulcral. Cheguei a convidar alguns críticos a participar de debates que eu promovia sobre o filme. Eles viram o filme e se negaram a participar. Disseram que foi problema de agenda. Depois de quase um ano Jean Claude Bernardet escreveu afirmando que o filme era uma referência inevitável ao documentário brasileiro contemporâneo. Em seguida, o pessoal do Doctv, colocou o filme para um debate que tinha na plateia boa parte do ambiente de documentário brasileiro. Jean Claude defendeu o filme e aí “o pau comeu” entre ele e Eduardo Escorel. O Escorel afirmou que o filme é “um caso claro de abuso de poder do diretor” e acusou o Jean Claude de estar sofismando. Varios outros críticos também acusaram o filme de ser antiético. Finalmente as posições começaram a ficar claras. Devido a coragem e a importância crítica do Jean Claude os outros críticos decidiram se posicionar contra o filme e explicitar suas opiniões. No blog do filme tem vários artigos atacando o filme  www.jesusnomundomaravilha.blogspot.com). Foi ótimo, adoro quando as posições ficam explicitadas. Acho muito estranho pessoas que se consideram democráticas e que querem interditar o debate. É uma censura educadinha, exercida pelo silêncio, por atuar no controle dos critérios de qualidade dos festivais e pela negação ao debate.&lt;br /&gt;Acho o debate muito saudável. O que mais me assusta é tentar fazer interdição crítica de qualquer coisa. Temos que tomar cuidado com quem sai à rua acusando os outros de serem fascistas. Pode ser patrulhamento.  Muitos fascistas surgiram acusando os outros de serem fascistas. Acho que a crítica tem que ter a coragem de debater o que é ético ou antiético com toda a sociedade. Quem é democrático não pode ter medo do que acha que é fascista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Gosta de incorporar o acaso à sua filmagem? Por exemplo, a presença daquele palhaço no parque de diversões em Jesus Maravilha? Acha que isso enriquece o documentário?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Adoro o acaso. Para mim o instante da filmagem é tudo, é sagrado e temos que estar atento a tudo que acontecer. O palhaço ,por exemplo, se impôs no filme. Ele queria aparecer e eu pensei: quem sou eu para negar? Eu nunca soube direito a função dele no filme, mas filmava ele com prazer. Sentia que ali tinha coisa. E tinha.&lt;br /&gt;Eu não tinha roteiro prévio. Só tinha claro que o filme terminaria no dia que o Lucio topasse rodar em brinquedos do parque de diversões. E foi isso mesmo. Ele só topou no último dia, foi o dia que me contou as coisas mais fortes e ensinou tortura ao jovem assistente.&lt;br /&gt;Antes disso foram muitos dias de pura curtição na filmagem. Para conquistar os personagens eu aprendi a curtir eles de verdade. São meus amigos, brinquei com eles. Filmei muito eles andando no parque, eles adoravam essa exposição tarantinesca e eu curtia filmar isso. Sem pauta clara.&lt;br /&gt;Mas para improvisar é preciso uma mega pesquisa de campo. Como fiz – na mesma época a serie 9mm (para a fox) – eu tinha lido milhares de livros sobre policiais, entrevistados muitos outros, conhecia bem o universo deles. Sabia o que significa as gírias, sabia as regras do universo deles (quais são as regras da corporação, etc..). Para improvisar na filmagem é necessário que você realmente conheça bem o universo.&lt;br /&gt;Eu só entendi o que era o filme depois de pronto. Em todo o processo eu fui descobrindo a estética (e a ética) do filme. A improvisação também é isso. Tem que estar aberto para ir a fundo com os personagens. Não é improvisação apenas da câmera e/ou da pauta da entrevista. É improvisação existencial.&lt;br /&gt;O diretor tem que se entregar. Tem que ouvir realmente. Tem que correr o risco de se convencer de que o personagem está certo. Mesmo que ele tenha matado 80 pessoas, mesmo que ele seja racista, fascista, machista, seja quem for. Você tem que correr o risco existencial de naquele momento se entregar e aceitar que – quem sabe – você poderá concordar com ele. Em meus filmes eu me tornei mais um da turma. Foi ao ouvir e rir das piadas racistas que os personagens me revelaram seu racismo. Foi por não julgar seu fascismo que eles revelaram seu fascismo.&lt;br /&gt;Isso é que é real improvisação. A improvisação existencial. É perigosa, você pode sair do filme transformado. Mas é isso que torna o instante da filmagem um momento real e sagrado.&lt;br /&gt;Apenas no final do filme eu entendi o que ele realmente virou. Eu não sabia antes, só entendi no final.  “Jesus no mundo maravilha” é uma mistura de Jean Rouch com “Pânico na TV”.  De Jean Rouch tem vários procedimentos de cinema verdade, com a presença ostensiva da câmera, a metalinguagem e as representações “dramatizadas” do imaginário dos personagens. Do Pânico, o filme traz o humor, a auto ironia e a criação a partir do meta-espetáculo televisiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicada em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://blogs.estadao.com.br/luiz-zanin/etica-e-humor-entrevista-com-newton-cannito/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-2966430743521337218?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/2966430743521337218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=2966430743521337218&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/2966430743521337218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/2966430743521337218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2011/04/etica-e-humor-entrevista-com-newton.html' title='Ética e Humor: Entrevista com Newton Cannito'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-3942505755788213692</id><published>2011-04-06T08:07:00.000-07:00</published><updated>2011-04-06T08:08:35.991-07:00</updated><title type='text'>Comentário de Luiz Zanin sobre o lançamento em DVD do Jesus</title><content type='html'>Se no âmbito dos brasileiros a temperatura parece um tanto morna, ela deve ferver no debate de lançamento dos DVDs de dois documentários de Newton Cannito, Jesus no Mundo Maravilha e Violência S.A. (este em parceria com Eduardo Benaim e Jorge Saad). A começar pelo título da mesa – A Verdade É uma Farsa (dia 5/4, às 19h30, na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos) – da qual participam o diretor, o pesquisador Jean-Claude Bernardet e o apresentador Marcelo Tas.&lt;br /&gt;A ideia dos documentários é apresentar assuntos dolorosos (no caso a violência urbana) sob o formato humorístico. Os filmes fascinaram estudiosos como Bernardet, mas também causaram repulsa em outras pessoas. Ao propor o tratamento paródico de uma situação que envolve ex-policiais adeptos da pena de morte, um palhaço e uma mãe que teve seu filho morto pela polícia, o documentarista expõe-se a opiniões controvertidas. Como a do cineasta Eduardo Escorel, que classifica a posição do cineasta, neste caso, como de “abuso de poder”. E a de Bernardet, que considera o filme Jesus no Mundo Maravilha inovador ao introduzir a ironia no domínio do documental e aceitar que vivemos de modo inescapável na sociedade do espetáculo.&lt;br /&gt;São discussões polêmicas, que envolvem a ética do documentarista em relação aos seus personagens e prometem muito calor ao debate – e, com sorte, alguma luz também.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;http://blogs.estadao.com.br/luiz-zanin/e-tudo-verdade-a-volta-da-politica/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-3942505755788213692?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/3942505755788213692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=3942505755788213692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/3942505755788213692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/3942505755788213692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2011/04/comentario-de-luiz-zanin-sobre-o.html' title='Comentário de Luiz Zanin sobre o lançamento em DVD do Jesus'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-6752373999353536829</id><published>2011-04-01T13:24:00.000-07:00</published><updated>2011-04-01T13:25:14.233-07:00</updated><title type='text'>Venda do DVD</title><content type='html'>Já está disponível para a venda sob encomenda do DVD Jesus no Mundo Maravilha... E Outras Historias da Policia Brasileira  no site da livraria cultura:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;http://www.livrariacultura.com.br/scripts/videos/resenha/resenha.asp?nitem=22490320&amp;sid=968174250134155752143367&amp;k5=39C201D4&amp;uid= &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Jesus no Mundo Maravilha' é o documentário brasileiro que mostra a vida de três militares que, após serem exonerados da polícia, trabalham num parque de diversões. Num clima onírico - enquanto surram o palhaço, brincam com crianças e rodam em brinquedos - eles revelam seus valores, seus sonhos e seus crimes. Enquanto isso, uma família vítima de policiais chora a morte de seu filho e clama por justiça.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mídia: DVD&lt;br /&gt;Região: 4&lt;br /&gt;*Brasil, Austrália, Nova Zelândia, México, América Central, América do Sul&lt;br /&gt;Ano de produção: 2007&lt;br /&gt;País de Produção: Brasil&lt;br /&gt;Gênero: DOCUMENTÁRIO&lt;br /&gt;Duração: 52 minutos &lt;br /&gt;Volumes: 1&lt;br /&gt;Sistema: NTSC&lt;br /&gt;Sistema de Cor: Colorido&lt;br /&gt;Idioma Original: PORTUGUES - DOLBY DIGITAL 2.0&lt;br /&gt;Legenda: ESPANHOL  INGLES&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-6752373999353536829?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/6752373999353536829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=6752373999353536829&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/6752373999353536829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/6752373999353536829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2011/04/venda-do-dvd.html' title='Venda do DVD'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-8225682012943000239</id><published>2011-03-25T05:35:00.000-07:00</published><updated>2011-03-25T06:55:26.841-07:00</updated><title type='text'>Ver: como e onde</title><content type='html'>&lt;strong&gt;26/março/2011 (sábado)&lt;/strong&gt;, exibição às 13h no RisaDoc, &lt;br /&gt;dentro da programação do Risadaria, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05/abril/2011 (terça)&lt;/strong&gt;, às 18h30, no auditório da  Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos&lt;br /&gt;Debate sobre os limites da sátira e o papel do humor na reflexão social &lt;br /&gt;com Jean Claude Bernardet, Marcelo Tas, Eduardo Benaim e Newton Cannito&lt;br /&gt;E lançamento do “Jesus no Mundo Maravilha” em DVD!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-8225682012943000239?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/8225682012943000239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=8225682012943000239&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/8225682012943000239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/8225682012943000239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2011/03/ver-como-e-onde.html' title='Ver: como e onde'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-3115712603196277847</id><published>2011-03-25T05:03:00.000-07:00</published><updated>2011-03-25T05:06:43.411-07:00</updated><title type='text'>Jesus dando risadas</title><content type='html'>Ola Gente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabado, dia 26/março/2011, haverá exibição de Jesus no Mundo Maravilha dentro do RisaDoc, evento que exibe documentarios humoristicos na programação do Risadaria, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.&lt;br /&gt;quem puder ir é super legal de ver&lt;br /&gt;É uma chance de ver o Jesus sendo exibido para uma plateia diferenciada, com pessoas interessadas em humor&lt;br /&gt;Em abril teremos o lançamento do filme em dvd&lt;br /&gt;abraço&lt;br /&gt;Newton&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-3115712603196277847?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/3115712603196277847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=3115712603196277847&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/3115712603196277847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/3115712603196277847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2011/03/jesus-dando-risadas.html' title='Jesus dando risadas'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-902379751768118012</id><published>2011-03-15T11:38:00.000-07:00</published><updated>2011-03-15T11:43:30.726-07:00</updated><title type='text'>Trechos sobre o debate do filme</title><content type='html'>“A grande virada que o Newton (o diretor do filme) deu é ter aplicado uma mecânica cômica, a um assunto que usualmente é visto na televisão e no cinema com gravidade, e entre nós, é considerado com gravidade. &lt;strong&gt;Esse filme é um escândalo! E ele é um escândalo justamente por ser um filme que não respeita nenhum dos princípios da seriedade.&lt;/strong&gt; Ele fere todos os princípios do documentário convencional: entrevista sobre fundo abstrato, fundo infinito; entrevistas que não estão em “sincro”, dentro do carro; planos acelerados, ou plano ralentado; a parodia; o lúdico... Quando eu vi o filme pela primeira vez eu percebi que eu tinha rido várias vezes durante a exibição, mas quando acabou o filme eu estava absolutamente atônito. Esse filme transformou uma das chagas da sociedade - que provém da ditadura - num imenso espetáculo farsesco; e isto aumenta a gravidade, a dramaticidade, da situação. E nesse sentido, o filme é quase “uma tragédia em ritmo de Marcha Turca”. &lt;strong&gt;Os documentaristas brasileiros não poderão ignorar este filme à partir de agora. Que odeiem, que gostem, vai ser necessariamente uma referência. Ele é, desde já, um marco. &lt;/strong&gt;Ou documentário irônico, ou documentário grotesco, ou documentário do artificialismo... vai ser alguma coisa em relação à qual as pessoas vão ter que de alguma forma, mais ou menos voluntariamente, se posicionar.”Jean Claude Bernardet (em debate no doctv)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“A questão do diretor é sim crucial; e ela deve ser avaliada, e discutida...&lt;br /&gt;Não acho que o escândalo em si tenha nenhum mérito. ... Acho que esse filme é um exemplo claro de abuso do poder. E acho que nós não devemos ser complacentes com o abuso do poder. Abuso do poder do diretor, no caso.”&lt;br /&gt; Eduardo Escorel (documentarista e montador, no mesmo debate do doctv)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O filme tem uma certa complexidade filosófica, justamente ao assumir o espetáculo, ao assumir o artificialismo, a paródia, a simulação, o lúdico. Ele pertence ao mesmo universo de “Jogo de Cena” (do Eduardo Coutinho). São filmes que assumem que estamos na sociedade do espetáculo, que não temos como escapar e temos que lidar com isso, de alguma forma!”&lt;br /&gt;Jean Claube Bernardet&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E eu problematizaria justamente esse “lugar do filme”, “lugar do documentarista”. “Onde é que tá o documentarista nessa briga de discursos que o filme...” Que não é uma briga também tão grande assim não, na verdade acho que há um consenso no final, eu não acho que há dissenso; eu acho que no fundo ali todo mundo concorda.  Documentarista, policial, mãe e palhaço. Porque todo mundo tá com o mesmo discurso. “A morte é necessária.”... É preciso a gente questionar esse projeto. Não estou dizendo “recusar” ou “condenar”; mas, questionar de fato esse projeto. Ele pode ser inovador; não necessariamente ele é uma inovação positiva&lt;br /&gt;Cleber Eduardo&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu me sinto um pouco com um transtorno bipolar como espectadora diante desse filme; porque eu oscilo entre a rejeição completa e a adesão à essa desestabilização diante de qualquer possibilidade de sentido. É uma ambigüidade radical, essa desestabilização que desestabiliza o consenso. E só há democracia no dissenso.&lt;br /&gt;Ilala Feldman&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-902379751768118012?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/902379751768118012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=902379751768118012&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/902379751768118012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/902379751768118012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2011/03/trechos-sobre-o-debate-do-filme.html' title='Trechos sobre o debate do filme'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-3334576046515681373</id><published>2010-05-05T10:25:00.001-07:00</published><updated>2010-05-05T10:25:45.319-07:00</updated><title type='text'>ESCÁRNIO DA CRÍTICA CATÓLICA</title><content type='html'>Este texto é uma resposta ao artigo "Crítica da Montagem Cínica", escrito por César Guimarães e Cristiane Lima, publicado no site português DOC ONLINE (www.doc.ubi.pt). Como montador de Jesus no Mundo Maravilha, vejo-me intimado a escrever, já que boa parte do dilema envolve diretamente as operações que realizei, junto com a direção, na estruturação do filme.&lt;br /&gt;Assim como Jesus no Mundo Maravilha contraria os mandamentos da parcela da crítica que o condena, o tom deste texto também contraria os protocolos da crítica, tanto da boa quanto da má. Estou cada vez mais convencido de que a crítica da crítica compreende o escárnio, o sofisma, o aforismo, o deboche e a má educação. Isto porque a meu ver o artigo em questão esforça-se, a partir de pré-concepções de cunho moral, em tentar provar que Jesus no Mundo Maravilha trata-se de uma monstruosidade anti-ética, um ovni abjeto e supostamente indesejado dentro do espectro daquilo que se habituou chamar de “documentário”. Trata-se de mais um capítulo da cruzada moralista da jovem crítica católica brasileira, que tenta a todo custo impor sua ética. &lt;br /&gt;Em seu blog (http://jcbernardet.blog.uol.com.br/), Jean-Claude Bernardet, que é um dos defensores do filme, acredita que o documentário brasileiro contemporâneo passa por contradições profundas que são salutares. Então decidi contribuir, aprofundando ainda mais o fosso da diferença, escancarando os antagonismos. No ano passado tive a experiência de ler “Jesus no Mundo Maravilha, Uma Carta Aberta ao Realizador Newton Cannito”, de Cézar Melhoral (ou Milhorim, algo que o valha, não me lembro bem se é nome de remédio ou marca de fubá), e fiquei com uma preguiça danada. Lembro-me de dizer ao Newton que não estava interessado na discussão de fundo moral (por trás do refinamento da escrita doutoranda) que o texto levantava e que, sintomaticamente, começava com uma citação de Kracauer, que como seus seguidores sempre teve dificuldade em enquadrar os filmes dentro de suas teorias, nunca conseguindo encaixar a feliz diversidade do cinema em suas gavetinhas de preferência. Alguém já disse que é uma pena alguém tão inteligente e dedicado quanto Kracauer levar a vida toda a erigir um edifício só para dizer que preferia o realismo. Acho divertida a piada. Estamos falando de um tempo pré-Bazin (que, aliás, também era católico, porém bem mais inteligente)… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o fato é que cansei de ficar apenas escutando a ladainha. Em situações e momentos como estes é preciso marcar mesmo posição, abrir frente clara de oposição e de rompimento, desmascarar os bons moços limpinhos e engomados, colecionadores de casacos, supostos defensores da ética, e que atualmente encontram-se entricheirados nas universidades em uma cruzada cristã pelo engessamento do documentário brasileiro. Isto precisa ser combatido, e rápido.&lt;br /&gt;Meu texto pode parecer raivoso, mas seu tom desbocado é proposital, e de fundo filosófico. Tive este insight tomando um cafezinho aqui no Nicola, em Lisboa, frequentado no passado pelo sr. Bocage, que me faz também lembrar de Rabelais, Gregório de Matos, José Agudo e Rogério Sganzerla. Antes de mais nada, é bom deixar claro que pessoalmente não me ofendo com as tentativas neuróticas e desesperadas dos jovens acadêmicos católicos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, em fazer com que seus pontos de vista construam um campo hegemônico. Há tempos que ando cansado mesmo, destes clubes de eleitos que se auto-elegem para tentar impor suas hierarquias de gosto, sua ética e sua moral, no caso das mais esquemáticas. No fundo são motivo de riso, escancarado mesmo – uma piada! Só que alguém tem que começar a dizer que essa igrejinha não é dona da razão, como tenta se fazer supor, pois é preciso e vital que o documentário brasileiro supere de uma vez por todas esse mal de época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me que comecei a editar o Jesus no Mundo Maravilha antes das gravações terem terminado. Era início de ano, e um assistente já havia convertido todo o material que fora gravado em dezembro. Cheguei para visionar e organizar o material, e lembro-me que fiquei entusiasmado. Tudo me parecia ao mesmo tempo estranho e estimulante para um documentário. Chamava a atenção, sobretudo, aquilo que me pareceu um salto em relação ao primeiro documentário de Newton, “Violência S.A.”. Este salto residia no fato das operações irônicas de sentido presentes em “Jesus”, às vezes beirando o absurdo, estarem presentes na própria composição da imagem, dentro de cada quadro, aonde podíamos ver, por exemplo, policiais dando aulas de tortura e contando suas proezas de Charles Bronson paulistano em meio a um mundo colorido de brinquedos mecânicos e algodão doce. Por outro lado, em Violência S.A., que particularmente não me agrada - e já cansei de dizer isto ao Newton e ao Eduardo, co-diretor, acho que a voz over está muitos graus acima do tom farsesco adequado – as operações de ironia, cinismo e escárnio devem-se quase que totalmente ao uso da voz over; já em Jesus a voz over é dispensada, e a ironia, o cinismo, o escárnio e a avacalhação passam a se operar diante da câmera, através da câmera, através da atução direta do diretor no embate com a realidade, através da interação que sua personagem (de diretor bufão) realiza com as demais personagens e em sua combinação com a locação do parque.&lt;br /&gt;Mas estava dizendo do início da montagem. Faltava ainda alguma coisa àquele material que visionávamos, pois com as transformações ocorridas no projeto em seu decorrer,, havia por parte do Newton o desejo intuitivo de fazer um documentário onírico com aquilo tudo. Naquela combinação explosiva de histórias violentas, personagens patéticas e performances apalhaçadas, enveredar pelo sonho e pelo pesadelo parecia-me também ainda mais perigoso e estimulante. Conversamos sobre materiais adicionais, que poderiam ser produzidos para, na articulação com o material já gravado em dezembro, construir afinal a composição onírica que Newton almejava. Lembro-me claramente de pedir-lhe algum material de apoio que fosse abstrato, um trabalho de câmera sobre o espaço do parque, sobre os personagens neste parque, um material que fosse mais plástico e menos descritivo, pois com o conjunto de imagens descritivas, funcionais e objetivas que tínhamos o tal onírico não poderia ser estruturado.&lt;br /&gt;Alguém pode pensar que estas reflexões sobre as opções da direção podem soar estranhas vindas do montador, mas acredito que a montagem de um projeto como este não pode compreender apenas o trato da matéria virtual das imagens, dos sentidos que emanam delas e das articulações entre elas, do resultado estético dos embates da câmera com o real (amém!), mas também a reflexão e a discussão sobre as próprias decisões da realização em sua luta, dada no fio da navalha de uma operação arriscada. Sobretudo porquê estruturávamos o filme por um ponto de vista que, confrontado com nosso entendimento do mundo, parecia-nos grotesco e injustificável. Daí pergunto aos católicos: não se pode fazer um filme cínico para mostrar que o mundo é cínico? Quem é que vai mostrar a fuça autoritária e dizer que não pode?&lt;br /&gt;Assim, nessa dinâmica entre direção e montagem, prensenciei o momento subsequente à ligação da Mãe da vítima ao Newton, superando o medo de falar sobre o caso e prontificando-se, afinal, a dar projeção a suas palavras dentro do projeto. Decidiu-se que ela seria gravada em estúdio, em fundo neutro, portanto fora do espaço do parque – não me lembro se houve outras conjecturas a respeito da escolha da locação para a mãe, poderia ter havido outras opções, mas sinceramente ainda hoje não vejo o que poderia ser mais adequado para o seu registro, levando em conta a intenção de preservá-la da colagem sobre o parque. O parque era o espaço da demência, da loucura e da alienação, não de quem teve o filho assassinado covardemente pela polícia. Penso hoje que ir até sua casa poderia ter sido perigoso, um perigo potencialmente residente no próprio espaço da realidade, que poderia por uma fresta adentrar a sala escura de nossos experimentos cínicos e escarnáticos, e que residiam na idéia sempre frisada por Newton de que o documentário deveria se construir sempre a partir do ponto de vista narrativo dos policiais. Evitar a realidade é um pecado na igreja do documentário? Que seja. Sob esse ponto de vista, omitir o espaço “real” em torno dos pais da vítima foi o que permitiu que o filme pudesse finalmente incorporá-los, ao mesmo tempo preservando a integridade pessoal da mãe e o traçado que o projeto, transformado radicalmente pela imposição do silêncio pela polícia (que proíbira os policiais envolvidos no caso de prestar declarações ao documentário), enfim descobrira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o cinismo, uma coisa que sempre me parecia hilária, ao catalogar o material bruto que a certa altura me chegava quase que diariamente na ilha de edição, era o fato que NUNCA, NINGUÉM que aparecia no filme questionava por quê cargas d’água falava-se de tortura em meio a brinquedos; da doutrina evangélica num carrossel; de direitos humanos numa mesa mal improvisada em meio a um parque de diversões. É de uma ingenuidade genuinamente estúpida – sinceramente não há como não rir dos dignos representantes dos direitos humanos sentados no meio de um parquinho, repetindo as velhas ladainhas de sempre, como se fosse normal promover um debate em meio a brinquedos, e com um palhaço estúpido a andar de um lado para outro. Lembro ainda que trabalhei arduamente nesta sequência, para dar cabo satisfatoriamente de um certo “efeito blá-blá-blá”, imaginado pelo Newton, e que consistia na sobreposição das falas do debate, construindo a impressão de que todos queriam falar ao mesmo tempo, sem respeitar a opinião do outro. Aquela confusão toda foi completamente construída na montagem (perdoai!), pois é assim que entendíamos estilisticamente o que ocorre quando põe-se frente à frente burocratas e policiais para discutir o conceito de “direitos humanos”. Aparentemente, a etiqueta e a educação davam a impressão de que às vezes queriam se ouvir. Mas decididamente não estávamos interessados em etiqueta. Etiqueta, como Newton gostava de dizer durante a edição, é a ética da elite, do bem-educadinho. Discutir ética de verdade é mais embaixo.&lt;br /&gt;Rimos e rimos muito na ilha de edição, e ainda hoje me cago de rir quando tenho o prazer de assistir a esta cena. Isso quer dizer que o filme é “contra os direitos humanos”? É assim que os educadinhos das universidades brasileiras preferem ver, para não trair suas teorias teóricas? Divirto-me com a paródia que fizemos, e com a lucidez de Newton em fazer um filme que critica tanto a polícia quanto os críticos da polícia, pois os críticos da polícia e os defensores dos direitos humanos estão presos em idéias e teorias que não se aplicam na realidade, que não lhes permitem atuar de maneira concreta sobre a complexa questão da segurança pública no Brasil. Ficam lá nas suas palestras, nas suas conferências, nos seus programas de televisão, sentados nas suas cadeiras enquanto o pau come na rua. Esses senhores têm o seu papel sim, importante, mas que é importante na sua pontualidade cotidiana, de ação concreta na assistência às pessoas que não têm defesa diante da violência corporativa, da violência do Estado. São necessários e assim são nobres, mas como teóricos são patéticos. Humanismo de academia não resolve. Ademais, é sempre bom lembrar que o documentário estava sendo construído a partir do ponto de vista dos policiais, que sequer suportam ouvir falar de “direitos humanos”, pois para os “direitos humanos” policial é apenas uma abstração, um signo maligno da ditadura, entidades sem existência física – como se também não fossem mais uns fudidos. Tá bem, mas o que você propõe afinal? – diria provavelmente algum furioso estudande - a anarquia? – Sei lá – responderia eu - não sou procurador do Estado, nem defensor profissional dos direitos humanos, e muito menos crítico, que dirá católico. Exigir esta resposta e esta proposição de um documentário, ou qualquer tomada de posição do mesmo a favor deste ou daquele, é puro equívoco. É um pensamento de rodapé. É até feio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de Pereira, o justiceiro evangélico, sentia um certo ódio (perdoai novamente!). Tive que me controlar um bocado diante da imagem deste homem, que levava suas vítimas covardemente para um matão na zona leste e as executava. Cresci na periferia e já havia topado tipos assim, e ouvido inúmeras histórias destes pés-de-pato. O pé-de-pato para mim é um personagem de infância, que habitava a noite de onde eu morava, trafegando encapuzado pelas ruas de terra em um Maverick negro, em baixa velocidade, arma no cinto, acompanhado de outros 4 justiceiros de bigode bem-feito, com dedos e olhos amarelos. Na periferia sentíamos ódio destas figuras, ficávamos indignados, e quando crescíamos frequentemente gostávamos da idéia de um dia poder fazer também vingança. É essa a lógica que se deseja e que acontece muitas vezes na periferia, a do olho-por-olho e dente-por-dente. No fundo nunca levei isto mesmo a sério, afinal fiquei vivo para poder exterminá-lo ao menos esteticamente. Seria incapaz de matar alguém fisicamente, em nome do que quer que seja, mesmo um assassino fardado, cínico e covarde como Pereira. Aliás, em termos de atuação dentro do documentário, Pereira leva o Oscar – proporcionou-nos uma autêntica cena de documentário clássico ao narrar sua conversão religiosa. É pecado avacalhar o espaço sacrossanto do documentário? Que seja. Gostaria apenas que alguém me dissesse o que é preciso fazer no Brasil para acabarmos de uma vez por todas com a lógica da patrulha. &lt;br /&gt;Quanto ao palhaço, este impôs-se no filme. Impôs-se à equipe de filmagem, à direção e à edição. Confesso num certo periodo do trabalho que lutei contra este palhaço – sua articulação com o restante do material parecia-me ter que ser feita à forceps – era um aparente alienígena no projeto. Mas assim como os outros personagens, ele também estava interessado no filme, e queria tirar proveito da oportunidade: Pereira queria mostrar sua conversão e seu arrependimento, e pregar a palavra de Deus; Jesus queria mostrar como estava triste, e como queria seu emprego na polícia de volta; Lúcio queria fazer no cinema o papel do justiceiro destemido; a vítima queria justiça; e o palhaço queria aparecer na televisão. E para isso dispôs-se ao jogo, tanto que sua atuação passou a modelar-se com o decorrer das gravações, e isto era bastante visível no material – no processo, ele aprendeu por exemplo que era mais engraçado fazer papel de mau-humorado do que fazer suas habituais palhaçadas sem graça. E assim o fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, falando genericamente sobre o trabalho, mudaria poucas coisas da montagem. Primeiro, tentaria diminuir drasticamente a voz over de Lúcio no início, e daria mais tempo às imagens inaugurais – há ali um problema de ritmo. E certamente montaria a sequência de Jesus caminhando pelo bairro, em seu dia-a-dia de segurança particular, de outra maneira, sem aquela música de pianinho. A música ali sobra, está over, dava pra ser mais elegante, mas os parcos 2 meses dados pela produção não me permitiram decantar tudo plenamente – sob meu ponto de vista teria sido um trabalho perfeito em sua forma final, não fossem estes pequenos pormenores – o início e a caminhada de Jesus. De qualquer modo, realizar uma montagem tão intensa em apenas 2 meses é um feito bastante grande, e tenho muito orgulho do que pude fazer em tão pouco tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizemos um documentário anti-ético? Como montador assumo todas as construções de sentido, foram todas elas fruto de debate, discordâncias e afinidades que foram se resolvendo intuitiva e intelectualmente durante a montagem. É importante frisar o “intuitivo”, pois quando se lê e não se é intuitivo vira-se papagaio, passa-se a enxergar o mundo a partir de determinações que valem uma estrelinha no caderno no esquema clientelista da universidade, mas que tornam a visão obtusa e o pensamento monológico. Daí que a estreiteza intelectual passa a agir sobre os aspectos físicos, fica-se eunuco, com um ar de nerd, têm-se que usar óculos, de preferência fundos e com um grosso aro preto, no máximo vermelho, pra parecer mais despojado, e ficar com uma cara de pudim, com a mão no queixo, predisposto sempre a dizer algo inteligente e perspicaz a cada palavra. Passa-se a citar idéias de Louis Skorecki, que fica clamando pelo mundo um ambiente sagrado, silencioso e litúrgico para a experiência dentro das salas de cinema. É este o cinema das igrejinhas. Particularmente, acho uma merda esta idéia, assim como acho uma cagalhada sem fim a moral católica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente o cinema para mim é algo fetichista, profano e vulgar, suado, ruidoso, barulhento, sujo, fedendo a comida, perdido em alguma sala de Havana, da Índia ou da Nigéria. Disto os moços de cérebro perfumado também têm horror. E têm horror aos peitinhos da negra em El Benny, aos closes maravilhosos como nunca vi em El Benny, ao cinema como espetáculo público coletivo e popular de fato, e não como uma experiência privada numa sala cheia de gente. Uma projeção de El Benny, ficção cubana pós-moderna super bem produzida, em Havana, que tive a oportunidade de ver junto com Jean-Claude Bernardet foi a maior experiência cinematográfica que pude viver (a propósito, essas conexões aqui com Jean-Claude não são apenas acaso, cada vez mais acredito que tudo é uma coisa só. A vida é mesmo holística, é só saber conectar os signos). Tínhamos ido ao cinema para ver o público, o comportamento verdadeiramente sofisticado, cinematográfico e participativo do público cubano, e não houve um minuto sequer em que o público não falava, ou mesmo não se esmurrava, numa cena que ocorreu diante dos meus olhos maravilhados. Maravilhados por ter vivenciado o cinema como um evento social pleno, e maravilhados pela sorte de ter sido presenteado, para além de tudo, com um filme surpreendentemente belo, vivo, pulsante, musical – o oposto dos filmes desossados e secos que os acadêmicos têm o hábito de fazer quando se aventuram por trás das câmeras. Eu e Jean-Claude saímos então exaustos, empapados de suor, moídos e felizes daquela sala, como se estivéssemos saindo de uma deliciosa buceta gigante, de um transe xamânico, de uma festa de Exu. Sempre me pergunto porque é que os críticos gostam de fazer filmes descarnados, sem pinto nem bunda. Não entendem que a oposição ao espetáculo alienador do naturalismo norte-americano, e à pretensão de objetividade dos documentários da TV à Cabo, pode ser dada a partir do contra-espetáculo (mesmo dentro do documentário). Os esquerdistas católicos preferem a igreja, naturalmente, o silêncio, a castração, a penitência. Ai, meu Deus do céu, vai ser sério (e chato) assim no inferno. &lt;br /&gt;Recordo deste episódio em Havana, assim de rompante porque há também uma situação interessante que me lembro, e que pude presenciar nos laboratórios da Teleimage, em São Paulo, e que ocorreu durante uma copiagem de Jesus no Mundo Maravilha. A sala de copiagem tinha uma parede de vidro, que dava para um corredor, e os técnicos do laboratório começaram aos poucos a se postar diante do monitor, e em poucos momentos o documentário foi uma sensação absoluta entre os funcionários do laboratório, que riam com o filme e se divertiam com ele. Ficaram ao final grudados àquilo e adoraram, coisa notável para um grupo de pessoas que lida com a imagem e processa milhares de copiagens de milhares de filmes em seu dia-a-dia. A explicação para isto, a meu ver, deve-se para minha satisfação à eficácia da montagem por um lado, que pôde seduzir e manter um ritmo adequado ao espectador de televisão; e por outro lado pelo fato justamente de Jesus no Mundo Maravilha possuir um humor que a tudo corrói, pois o humor popular é há séculos assim: não perdoa nada, nem a esquerda e nem a direita, e morre de rir dos aspectos grotescos do físico, dos risos canalhas, do ser humano apalhaçado submetido ao ridículo e à estupidez de que é capaz. E a cultura pequeno-burguesa (desculpem, mas não há mesmo melhor palavra) não suporta este humor popular, transcendente, despurado e desconhecedor da moral. Há séculos também que tenta combatê-lo. Há um plano em Jesus que sintetiza esta conexão com o humor popular muito bem: os 3 policiais brincando de foder com o palhaço, num plano médio, e o palhaço fingindo hiperbolicamente a sensação do empalamento quando recebe uma garrafada de plástico no cu. Newton traduz isto em idéias sobre o filme quando diz que “queria fazer uma mistura de Jean Rouch com Pânico na TV”. Então, realismo sim, mas não nos termos dogmáticos que tentam impor. Não o realismo humanista do clientelismo acadêmico. Ludismo então, lúdico e ludder, contra as máquinas acadêmicas do realismo pequeno-burguês! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então gritam os pudins de óculos: “Humor, nem pensar. Ironia e cinismo, proibido! Escracho então, impossível! Em um documentário, imperdoável! Em um documentário de montagem, sacrílego!”. Os artigos que criticaram o documentário Jesus no Mundo Maravilha levantam a voz em nome da ética, mas seus julgamentos são de cunho moral. E de uma moral católica, visivelmente contaminada por idéias que se traduzem muitas vezes em expressões como “fé” na realidade, “pudor” diante do real, “dez mandamentos”, toda uma terminologia adaptada da liturgia católica. O documentário brasileiro hoje em dia tem até um “decálogo”, como é que é possível? Mas quem tem o espírito atento e não se deixa controlar por estas imposituras pula logo fora, como o próprio Eduardo Coutinho, que mesmo muito longe da oposição radical a isto, que Jesus no Mundo Maravilha representa, driblou e confundiu o obscurantismo realista pré-tropicalista, pré-cinema sonoro, pré-vertov, pré-bakhtin, pré-cervantes, e foi documentar a ficção do ser humano. Quando lia Dom Quixote, sempre tinha a impressão de estar vendo um documentário - não sei por quê :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rigor e terminantemente, não tenho nada contra o direito dos católicos, dos acadêmicos e dos realistas ortodoxos fazerem seus filmes. O problema é que agora eles querem dizer o que pode e o que não pode, e só eles querem fazer. E para isso têm formado uma patrulha pesada, que controla júris e editais através do lobby e da instrumentalização acadêmica, tentando determinar aquilo que é e o que não é. Sobre isto, o Newton tem outra frase da qual gosto muitíssimo, e que é mais ou menos assim: “quero que o mundo seja plural, claro, mas quando eu faço um filme eu só quero poder ser autoritário e dizer aquilo que eu penso”. Ser autoritário aqui significa poder ser livre para dizer o que quiser, sobre o que quiser, da forma que quiser, valendo-se do recurso estilístico que julgar mais apropriado para, naquele momento de sua vida e naquele momento do mundo, traduzir em matéria estética aquilo que pensa, sobre pessoas, coisas ou qualquer abstração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar logo gostaria de fazer duas citações, mas adianto desde já que não é para conferir autoridade ao que escrevo (apenas acho-as legais, ajudam a sintetizar e a confundir muita coisa ao mesmo tempo); aprendi este recurso de conferência de autoridade nas aulas de redação do cursinho - acho até muito manhoso citar um clássico e tal, encher tudo com notas de rodapé, mas não gosto muito. Tenho mesmo índole de criador e de montador, prefiro lidar livremente com o que leio, vejo e ouço, daí que vou me apropriar sem citar a fonte (não chorem, meninas, vai tudo com aspas): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ética é estar à altura daquilo que lhe acontece”. &lt;br /&gt;“A moral é a fraqueza do cérebro”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto, “Escárnio da Crítica Católica”, entra desde já para os anais do documentário brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais, vão ver se eu estou na esquina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André da Conceição Francioli&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 16/04/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-3334576046515681373?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/3334576046515681373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=3334576046515681373&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/3334576046515681373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/3334576046515681373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2010/05/escarnio-da-critica-catolica.html' title='ESCÁRNIO DA CRÍTICA CATÓLICA'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7532772299073278762</id><published>2010-03-02T08:26:00.000-08:00</published><updated>2010-03-02T08:35:31.143-08:00</updated><title type='text'>Defesa de "Jesus"- por Newton Cannito</title><content type='html'>“Jesus no mundo maravilha” é uma mistura de Jean Rouch com “Panico na TV”&lt;br /&gt;De Jean Rouch tem vários procedimentos de cinema verdade, com a presença ostensiva da câmera, a metalinguagem , a subjetivação da narrativa, a assincronia som e imagem e as representações "dramatizadas" do imaginário dos personagens. Do Pânico, o filme traz o humor, a auto ironia, o trash, a musica brega e a criação a partir do meta-espetáculo televisivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua resposta a critica que Cesar Guimarães e Cristiane Lima fizeram de "Jesus...",  Jean Claude Bernardet observou que ninguém analisou com cuidado a minha presença corporal no filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo não planejei isso com cuidado, apenas não inibi nada e foi surgindo várias situações. Lembro que foram poucos momentos, estavam legais na ilha de edição e decidi deixar. Porque não, né? Achei legal mostrar eu meio palhaço. Eu pensei que ninguém ia notar muito e não pensei que isso teria grande importância. Mas me enganei. Desde as primeiras exibições percebi que minha presença em cena causava um impacto muito grande.Choca as pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refletindo um pouco sobre isso cheguei a algumas hipóteses:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) As pessoas não sabem a diferença entre personagem e diretor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acham que a ação do diretor dentro do filme é IDENTICA ao DISCURSO do filme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é desconhecimento do básico de teoria narrativa. Mesmo uma boa analise imanente e formalista não cometeria esse erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha presença no filme é apenas como um personagem que criei, um palhaço bufão que revela o mundo em que ele vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode confundir as opiniões do palhaço com as opiniões do diretor. Acredito que é por acharem antiético a atuação do "personagem documental que represento" que alguns críticos acham que eu sou antiético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro desse critério Orson Welles seria antiético, pois fez um personagem polêmico em “F for Fake”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro desse critério Dario Fo seria um machista, pois ele tem cenas com bufão machista. E por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) Ontem falando com um amigo (Nicolas Monasterio) ele me falou mais sobre o personagem do Bufão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu saquei que esses críticos meio católicos ainda estão presos a logica do melodrama. Por isso clamam pela autenticidade e tem pânico do que consideram “cinismo”. O que eles não entendem do personagem do Bufão é que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b.1) Ele retrata o horror da sociedade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b.2) E para ter o direito de fazer isso, o bufão tem que se identificar com o horror. Ser ele mesmo "um deles" e ter sido muito humilhado e se auto destruir sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi isso que fiz desde o inicio do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como não percebem que o grande diferencial de minha presença é que eu destruo a mim mesmo. Hoje vendo o filme percebo que fiz o "personagem do diretor" ser o mestre de cerimônias cômico e maluco de um circo grotesco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por estar dentro desse circo de horrores que eu posso criticá-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa identificação é importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é o que faz a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senão vira humor que xinga os outros para se auto-preservar. Seria um humor moralista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O humor que eu admiro, não faz isso O humor que fiz no “Jesus...”  não é desse tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fiz é construir um personagem que admiti fazer parte do "mundo que ele está criticando". Ele se coloca com mais um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso deve chocar os intelectuais que no alto de sua tradicional arrogância gostam de se sentir superiores aos personagens retratados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja superior para julgar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja superior para se compadecer e ter piedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sempre superiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Jesus...” eu sou mais um. E rio das piadas fascistas e racistas. Foi demais para os intelectuais burgueses católicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Mas o interessante é que foi só por isso - por eu me colocar como mais um deles - que consegui tantos depoimentos surpreendentes e chocantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por rir de suas piadas racistas que eles me revelaram seu racismo. Foi por não julgar seu fascismo que eles revelaram seu fascismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo: consegui que os policiais desse uma aula de "Tortura" de cara lavada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém tem noção do que é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém valoriza isso. Eu valorizo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho uma imagem inédita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente eu nunca vi um documentário que conseguiu isso. Isso revela mais sobre a policia brasileira do que 8 mil denúncias escandalizadas do Caco Barcelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso choca tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso só foi possível, pois eu realmente AMAVA meus personagens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AMAVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não os julgava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tive dó deles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu realmente gostava deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documentário brasileiro é, geralmente, muito moralista. O cara vai filmar um bandido já com inúmeros pré-julgamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pode. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso o documentário é igual ficção. Temos que amar nossos vilões. E a forma de amá-los é nos identificar com eles e ver o que tem  neles que é parte de nós mesmos. Se não tivesse neles parte de nós mesmos eu não teria interesse neles. Se tenho interesse neles é porque são de meu povo, de minha família, tenho amigos que pensam assim e o pior de tudo – eu tenho que admitir, que eu – mesmo sendo um “propenso intelectual tupiniquim da USP”, mesmo tendo estudado direitos humanos com Fabio Konder Comparato e Renato Janine –  mesmo assim eu já tive alguns momentos que pensei como eles! Só pensei. Mas pensei. Eles captaram. Eles fizeram. Mas eu admito que já pensei como eles.  Que jogue a primeira pedra o intelectual que nunca pensou. Não acho que sou melhor que eles. E também não acho que os intelectuais que odiaram o filme estejam isentos do fascismo tupiquim. Inclusive, me parece que nível de raiva desss intelectuais contra o filme mostra que algo os incomodou de verdade, a nível pessoal. Será que não foi a explicitação de que nós – cineastas e intelectuais – não somos isentos? Sempre me pareceu que as pessoas muito homofobicas tem algum medo excessivo de homossexuais, um medo típico de quem tem um desejo latente. Amor e ódio são os dois lados da mesma moeda e quem é bem resolvido com uma questão, não tem tanto ódio do lado oposto. O mesmo acontece com o fascismo. Fico imaginando que o ódio dos intelectuais contra “Jesus...” deve ter sido por isso: pela explicitação de que o intelectual não é isento do fascismo tupiniquim e que também é parte desse circo de horrores. O que os incomodou é perceber que aqueles policiais apenas efetivaram vontades de vingança que estão dispersas no imaginário de nossa nação. A frase final do palhaço, concluindo o filme corrobora isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que os policiais devem ser presos por isso, não tenho dúvidas. Devem ser julgados pela justiça, ok. Mas meu amor pelos direitos humanos me faz ter compaixão e entender que o que eles fazem é também responsabilidade nossa. Se realmente quero ser melhor que os policiais tenho que ter essa compreensão. Senão iremos julgá-los tal como o jornalismo televisivo os julga, vamos julgá-los como se não fossem humanos, iremos julgá-los tal como eles julgam os bandidos. To fora dessa. Ao invés do julgamento defendo a penalização compreensiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como artista tenho que saber que se eu vou representá-los é porque sou parte disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso muda tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que se faz qualquer arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você julgar previamente seus personagens você limita a criatividade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu realmente gosto de meus personagens e por isso eles se revelaram para mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por isso eles também AMARAM o filme!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, aliás, também é curioso. Os intelectuais de BH me acusam de cínico. Mas os personagens amaram o filme! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que eles realmente são bobinhos e alienados e foram enganados pelo diretor manipulador? Ou será que eles entenderam coisas que os universitários não entendem?  Não é estranho eles não terem ficado bravos comigo e os universitários terem ficado furiosos? Será que os policiais e o palhaço precisam mesmo da ajuda de intelectuais para se defender.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que - como já provou o Silvio Santos no show do milhão - os universitários nem sempre tem a resposta pronta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale uma pesquisa maior para entender isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) Bom gosto x escracho:  A critica de cinema no Brasil – via de regra – é meio aburguesada, meio francesa pré-nouvelle vague.. Eles não gostam e não entendem a arte popular. Gostam de sutileza e a arte popular é explícita. Essa crítica meio aburguesada me lembra o moralismo Rubem Biafora,  um critico dos anos 50 que detestava o cinema brasileiro popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma critica pré-bakhtin. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconsideram a importância da estética do escracho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendem a arte popular. Atacariam Dario Fo e ou qualquer bufão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Jesus no mundo maravilha” – e muitos outros trabalhos de vários autores - estão sendo vitimas dessa critica aburguesada. Que tal como Rubem Biafóra nos anos 50 quer impor seus valores estéticos ao conjunto da produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos que lutar contra esse moralismo cristão da critica acadêmica tupiniquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e) Tropicalismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra dica: para mim há uma óbvia relação de “Jesus no Mundo Maravilha” com a estética tropicalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso do espetáculo, a estética do escracho, do avacalho, é evidente no filme!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação com “Panico na TV” também é evidente. O palhaço faz o personagem do “Robert”, o moço que quer aparecer e serve de metáfora de um tema muito importante no filme: a vontade de aparecer e ser famoso! É evidente que o filme é também sobre a vontade de ser aparecer na mídia. O palhaço explicita isso. Mas a corporalidade dos policias representando cenas com armas de brinquedo, as cenas dos engravatados dos direitos humanos andando em direção a câmera tal como os filmes de Tarantino, entre outras coisas, explicitam isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra referência: na hora de fazer o filme eu sempre me lembrava de “O bandido da luz vermelha”. O montador do filme, Andre Francioli também é fã do cinema tropicalista e fez curadoria da obra de Silvio Renoldi grande montador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que nos dias de hoje “Jesus...” é vitima do mesmo moralismo que tentou destruir o tropicalismo nos anos 60.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Chacrinha é um gênio, pois já morreu. Mas se estivesse vivo seria destruído pelos universitário tupiniquins atuais, acusado de ser de mau gosto e “antiético”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais assustador: no campo do documentário os críticos ideologicamente católicos tem se disfarçado de defensores da ética (alias, como sempre, né?) e estão conseguindo uma hegemonia muito grande. Comandados por bons ideólogos e tendo a frente alguns filmes de evidente qualidade estética eles vem tentando estabelecer regras, decálogos, padrões, para destruir outros tipos de cinema (que eles – com a verve dos grandes moralistas – definem como antiéticos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao controlar os debates públicos sobre documentário e influenciar e participar dos júris e da academia,  esses criticos tem conseguido neutralizar a inovação e o documentário brasileiro tem se tornado uma série de homenagens bem intencionadas a figuras consensuais. É assustadoramente chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma história que se repete desde que o mundo é mundo: são os caretas moralistas politicamente corretos tentando controlar a ousadia estética e temática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você, que torce pela ousadia, não se desespere! Nos temos uma grande vantagem: os moralistas são meio chatos e nós curtimos a vida e os seres humanos.  Ainda acho que venceremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Newton Cannito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7532772299073278762?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7532772299073278762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7532772299073278762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7532772299073278762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7532772299073278762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2010/03/defesa-de-jesus-por-newton-cannito.html' title='Defesa de &quot;Jesus&quot;- por Newton Cannito'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7701005540682225031</id><published>2010-02-24T04:44:00.000-08:00</published><updated>2010-02-24T04:49:15.295-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Olá amigos,&lt;br /&gt;"Jesus" sempre dá polêmica.&lt;br /&gt;O Jean Claude Bernardet novamente escreveu sobre o filme que dirigi em seu blog. Agora ele respondeu a crítica do César Guimarães, que ficou atacando o filme.&lt;br /&gt;É um debate interessante, sobre o filme e sobre os modos da crítica.&lt;br /&gt;Quem quiser se manifestar e escrever pode comentar.&lt;br /&gt;Mas como a briga está boa, se alguém quiser postar alguma crítica maior pode me escrever no newton.cannito@gmail.com  que avaliio se da para publicar aqui no blog.&lt;br /&gt;Segue o link da resposta do Jean Claude: http://jcbernardet.blog.uol.com.br/ e o texto abaixo. &lt;br /&gt;Newton&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12/02/2010&lt;br /&gt;Lula e Jesus &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como a análise de LULA, O FILHO... sugerida por Eduardo Escorel, a análise de JESUS NO MUNDO MARAVILHA por César Guimarães e Cristiane Lima é uma análise imanente que não trabalha com parâmentros externos à obra. O conceito de base é a obra-em-si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto revela uma verdadeira paixão pela análise, o que lhe confere uma grande densidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não exclui alguns vãos na armadura. Se se critica o filme por não problematizar a palavra “bandido” fartamente usada, por outro lado o texto não problematiza suficientemente palavras-chave como “cinismo”, e menos ainda “ética”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tampouco está problematizado um aspecto do texto que considero essencial: por que o texto é tão furioso? por que os autores estão tão furiosos? o que neles foi ferido pelo filme? Sim, entendi, o cinismo feriu a ética mas esta formulação não é suficiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão pela análise leva os autores a se deterem sobre detalhes de composição da obra, o que é excelente. Analisa-se, por exemplo, um trecho do depoimento da mãe: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Toda a sequência começa com os jogadores no paintball posando para a câmera. São filmados de frente, com os fuzis de brinquedo em punho, óculos e capacetes de proteção, coletes de segurança. Em voz over, a mãe lamenta : ‘Só quem sabe o que é a dor é quem passa pelo que eu estou passando. Ninguém tem ideia do que estou passando. Ninguém. Só. Era meu filho, meu único filho que eu tinha. Tiraram a vida do meu filho, sem dó nem piedade. Eu só queria justiça. Queria que alguém fizesse alguma coisa. Pelo amor de Deus !’ // O combate é acompanhado pela música do Pato Fu, cuja letra diz : “Hoje as pessoas vão morrer/ Hoje as pessoas vão matar/ O espírito fatal/ E a psicose da morte estão no ar”... Só quando a mãe clama por Justiça é que vemos a imagem da família”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa seria, creio, uma sequência em que o cinismo fere a ética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto: se, em vez do doloroso depoimento ‘over’ sobre o circo do paintball, tivéssemos a mãe falando ‘in’ num ambiente que não fosse um abstrato fundo infinito mas, por exemplo, a sua residência, se a câmera se mantivesse quieta, haveria alguma objeção? Acredito que não, a dor da mãe seria respeitada, a compaixão do espectador poderia se exercer sem perturbação. Seriam assim restituídos o discurso da lamentação (“a mãe lamenta”, conforme o texto) e o discurso do consenso. E assim não haveria problema. Mas assim não existiria JESUS NO MUNDO MARAVILHA, nem o furor do texto de César Guimarães e Cristiane Lima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles foram excelentes espectadores, melhores do que eu: eles são os espectadores escandalizados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve se acrescentar que o texto de César Guimarães e Cristiane Lima aborda uma questão essencial que foi pouco explorada ou até mesmo silenciada, a saber a participação corporal de Cannito no filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito por Jean-Claude Bernardet às 13h44&lt;br /&gt;[ Nenhum comentário ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7701005540682225031?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7701005540682225031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7701005540682225031&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7701005540682225031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7701005540682225031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2010/02/ola-amigos-jesus-sempre-da-polemica.html' title=''/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7031393421711502580</id><published>2010-02-04T11:28:00.000-08:00</published><updated>2010-02-04T11:32:11.273-08:00</updated><title type='text'>Debate sobre ética em Jesus</title><content type='html'>Depois que o Jean Claude Bernardet escreveu elegendo o "Jesus no mundo Maravilha" como uma referencia inevitável ao documentário brasileiro, ouve vários outros criticos que se mobilizaram para discordar dele e detonar o filme. &lt;br /&gt;Criticas muito bem elaboradas alias.  &lt;br /&gt;Eles até inventaram conceitos novos (como a montagem cinica) e questionaram até mesmo minha ética pessoal.&lt;br /&gt;Pessoalmente acho eles não estão debatendo ética. Estão tendo impor uma moral. No caso uma moral meio católica. E acho que eles confundem ética com etiqueta. Etiqueta é a etica da elite, a etica do bem educadinho (quem analisa bem isso é Eugenio Bucci em seu livro sobre Etica).&lt;br /&gt;Mas isso é opinião minha. Os artigos são otimos e o fato é que o filme serviu também para isso: provocar um debate sobre ética em documentário e na arte brasileira.&lt;br /&gt;Um debate que pode e deve continuar.&lt;br /&gt;Pois acredito que a turma do bom mocismo em documentário esta´muito hegemonica e costuma acusar todos os que não concordam com eles de antiéticos. Isso tem - na minha opinião - limitado a livre expressão e a criatividade no documentário brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no blog tem o artigo do Jean Claude e os artigos academicos em respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quem viu o filme e tiver interesse no assunto leia abaixo e comente para aquecer o debate&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;abraços&lt;br /&gt;Newton&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7031393421711502580?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7031393421711502580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7031393421711502580&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7031393421711502580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7031393421711502580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2010/02/debate-sobre-etica-em-jesus.html' title='Debate sobre ética em Jesus'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-5082496006195830892</id><published>2010-02-02T05:42:00.000-08:00</published><updated>2010-02-02T05:43:00.130-08:00</updated><title type='text'>Bernardet consagra "Jesus..."</title><content type='html'>Jean Claude Bernardet escreveu uma resenha sobre "Jesus no Mundo Maravilha" em seu blog. (www.jcbernardet.blog.uol.com.br). Não posso negar que para mim isso é objeto de grande orgulho. O primeiro livro que li sobre cinema foi de Jean Claude e era sobre Cinema e História. Eu dava aula de História e descobri esse livro. Fui cada vez mais para cinema, sempre influenciado por sua obra. Em documentário o livro "Cineastas e Imagens do Povo" foi fundamental em minha formação.&lt;br /&gt;Segue a análise dele para o "Jesus no Mundo Maravilha"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus no mundo maravilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus no mundo maravilha é um filme alegre e divertido. Talvez seja este o seu maior pecado.&lt;br /&gt;Quando acabei de assistir a Jesus no mundo maravilha estava atônito. Numa grande perplexidade. O casal cujo filho foi assassinado por um policial, policiais expulsos da PM por, digamos, comportamento irregular, um ex-PM que confessa mais de 80 mortes. São temas graves e urgentes que pedem tratamento sério: todos nós somos contra a violência e a arbitrariedade da polícia, e esperamos contra ela um discurso ao qual possamos aderir, um discurso consensual.&lt;br /&gt;Ora, não é o que acontece. Jesus no mundo maravilha é um docufarsa. E isto é chocante e bagunça aquilo em que acreditamos. Declarações favoráveis à pena de morte acompanhadas por uma alegre marchinha de Mozart ou a trilha de western-spaghetti e mais simulações engraçadas (ou espantosas), e brincadeirinhas de montagem e mais uma moralidade estupefaciente para encerrar o filme como se encerra uma fábula: é um escândalo. A estética do escândalo tem a virtude de nos obrigar a repensar os nossos sistemas de valores (cinéticos e outros), a nos repensarmos a nós mesmos. É vivificante como uma ducha fria. &lt;br /&gt;Este filme expressa uma sociedade que não acredita em seus valores, que não acredita em suas instituições. Basta ver como são tratados os engravatados de alguma ONG ou comissão de direitos humanos. É duro de engolir: Jesus no mundo maravilha é a expressão de uma sociedade que entrega a proteção de suas crianças a assassinos. &lt;br /&gt;Com suas simulações, paintball, cavalinhos de pau que relincham, com todos os seus artificialismos – como reunir num parque de diversões os pais do adolescente assassinado com ex-policiais expulsos da PM, incluindo um pastor evangélico – este filme é a expressão de uma sociedade do espetáculo. E esta sociedade é atravessada por um olhar melancólico.&lt;br /&gt;De duas uma: ou ignoramos a existência deste filme (e aí tudo bem), ou não a ignoramos. Se não a ignorarmos, Jesus no mundo maravilha passa a ser uma referência inevitável no panorama atual do documentário brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-5082496006195830892?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/5082496006195830892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=5082496006195830892&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/5082496006195830892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/5082496006195830892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2010/02/bernardet-consagra-jesus.html' title='Bernardet consagra &quot;Jesus...&quot;'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-5871206537488530489</id><published>2010-02-02T05:29:00.000-08:00</published><updated>2010-02-02T05:34:21.203-08:00</updated><title type='text'>"Pergunte aos universitários"</title><content type='html'>"Jesus no mundo maravilha" é cínico?&lt;br /&gt;Saiu mais um artigo metendo o pau no filme.(segue abaixo)&lt;br /&gt;Parece que nós realmente conseguimos incomodar a ala dos documentaristas católicos. (he,he)&lt;br /&gt;Ih... Meus deus. Será que eu fui cínico? Ou apenas irônico?&lt;br /&gt;Sei lá. Nem sempre controlo. Agora fiquei em duvida.&lt;br /&gt;Melhor perguntar aos universitários!&lt;br /&gt;Mas brincadeiras a parte é um texto bem legal. Ri muito no começo, achei um pedaço meio difícil, mas acho o debate ótimo. Sempre gostei de debater com conservadores que querem impor sua ética a todos.&lt;br /&gt;E sou sinceramente agradecido a todos que se dedicam a esse debate. E falo sério, sem cinismo. Nem ironia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro mesmo. Juro. Dessa vez estou sendo sincero. Podem acreditar!!!!!!!!!!!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês acreditam em mim? Juro que espero, do fundo de meu coração, que os documentaristas católicos acreditem em minha mais pura sinceridade e pureza de sentimentos ao dizer que não estou sendo cínico!&lt;br /&gt;Acreditem em mim ao menos dessa vez!&lt;br /&gt;E posso garantir uma coisa: o debate é legal, quem ler vai curtir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue o artigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRÍTICA DA MONTAGEM CÍNICA&lt;br /&gt;(disponível em: http://www.doc.ubi.pt/07/dossier_cesar_guimaraes.pdf)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;César Guimarães e Cristiane Lima&lt;br /&gt;Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG; Mestre em Comunicação Social pela UFMG&lt;br /&gt;cesargg6@gmail.com ; crislima1@yahoo.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo: O artigo discute as implicações éticas e políticas geradas pela adoção do cinismo como figura estilística no documentário Jesus no Mundo Maravilha... e outras histórias da polícia brasileira (2007), de Newton Cannito.&lt;br /&gt;Palavras-chave: cinismo, montagem, documentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Os fantasmas perambulam somente por onde se cometeu uma má ação”&lt;br /&gt;Sigfried Kracauer&lt;br /&gt;Logo no início, após a inscrição do gênero do filme e do nome do autor, ainda com a tela em negro, ouvimos : “Minha mãe de criação foi vítima de latrocínio”. No plano seguinte um homem encena a postura de um vigia que perscruta o espaço em torno, cercado por um gradil amarelo, em uma pequena plataforma suspensa a poucos&lt;br /&gt;metros do chão. Em seguida, apanhado em plano médio, seu gesto ganha outra conotação : ele está, ambiguamente, à espreita de algo ou na tocaia. Servindo-se de um boneco como anteparo, ele assume a posição de um atirador (vemos sua arma, mas não sabemos se é de verdade ou de brinquedo). Um sniper no parque de diversões,como se fosse um filme policial americano. (Snipers Paintball é justamente o nome de uma das locações do filme). Em replay, seu rosto surge repetidas vezes entre as barras de ferro amarelas, enquanto ouvimos, em voz over, o relato sobre a morte de sua mãe de criação. Ele narra como seu plano de vingança (esconder o revólver em uma Bíblia e matar o assassino da mãe em pleno Distrito Policial), inspirado em filmes de faroeste, se viu frustrado ao ser flagrado por um tira. Assim começa Jesus no Mundo Maravilha... e outras histórias da polícia brasileira (2007), de Newton Cannito. Descobrimos que foi esse desejo de “caçar bandidos” que levou este narrador a se tornar policial. Nessa nota biográfica (algo romanceada, sem dúvida, como todo romance das origens), a cena primitiva – que imantará o sujeito de modo irreparável – surge do interior do espetáculo, minuciosamente montada, com um esmero impecável (capcioso motivo de gozo tanto para o realizador quanto para o espectador). E será ao espetáculo que esse filme se renderá em diversas espirais que o abismam em um experimento no qual ele aprisionou os sujeitos filmados, e dos quais, por meio da montagem e de variados efeitos sonoros, ele tanto pode zombar e escarnecer soberanamente, quanto se aproximar sob a forma da adulação ou da simpatia ardilosa. Para coroar esse breve retrato de um dos protagonistas, ainda no início do filme, a câmara gira 360 graus em torno da figura do caçador de bandidos (que ostenta a arma acima do peito), em um movimento novamente ambíguo : a cena convoca, não sabemos se em chave paródica ou em tom de homenagem, a monumentalidade espacial dos westerns. Essa impossibilidade de se decidir por um sentido ou por outro, ambos mantidos um ao lado do outro, sem contradição ou exclusão, é que fará do cinismo a principal figura estilística do filme, como mostraremos mais adiante. De qualquer modo, o deserto ou o canyon – espaços que abrigam ações épicas – deram lugar a um prosaico parque de diversões na zona leste de São Paulo. Vale notar também que a grandiosidade da música do western foi trocada pelo rápido comentário brincalhão de uma cuíca. Mais à frente, a trilha do western-spaghetti reaparecerá emoldurando a aparição de um grupo especial da polícia, o GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais), espécie de “Swat brasileira”, a cujos métodos (mais eficazes e menos violentos) será submetido Lúcio, o ex-policial, cujo relato abre o filme. Há um prazer compartilhado entre camaradas nessa demonstração de métodos policiais, e o realizador também se renderá a eles, em tom de brincadeira, quando se submete a um dos procedimentos dos ex-policiais (Lúcio e Jesus), que lhe batem nas palmas dos pés com um cassetete. Se no final do filme o faroeste dará lugar a um jogo de paintball que, em ralenti, metaforiza a caça aos bandidos, o universo dos brinquedos, a despeito da forçada comicidade dos efeitos sonoros saqueados de domínios distintos (canções infantis, Mara Maravilha, Mozart ou a banda pop Pato Fu) se transformará em uma fantasmagoria que só pode dizer – à maneira de um sintoma – de algo que permanecerá invisível : o lugar do morto. Precisamente, o lugar de Luis Francisco, filho de Lucimar Pereira e Eremito Santos, jovem negro morto gratuitamente por um policial em 2005. Aqui, os efeitos da montagem não poderão jamais exercer seu tripúdio à base de procedimentos metalingüísticos. A astúcia da reflexividade (tão convencida de seus efeitos críticos e provocadores), só pode empurrar o filme para um lugar do qual ele foge como o diabo da cruz, e no qual subsiste um traço do real (um único apenas !), mas que ele não suporta. É exatamente por isso que, logo após o depoimento de Lucimar Pereira, o filme se desembaraça da fala lutuosa da mãe (cujo rosto ele mal consegue fixar) e corta para o plano seguinte com o som de uma tuba, no cenário de um desfile de formatura de policiais em um quartel. Se esse filme pode ser “alegre e divertido” – como não teme em escrever Jean-Claude Bernadet (2009) – só pode ser naquele sentido em que divertir significa estar de acordo : “não ter que pensar nisso, esquecer o sofrimento até mesmo onde ele é mostrado” (Adorno e Horkheimer, 1985, p.135).&lt;br /&gt;Jesus no Mundo Maravilha pretende abordar a cultura da corporação policial brasileira. Para tanto, constrói-se em torno de três núcleos : um primeiro, constituído pelos depoimentos de três ex-policiais que agora trabalham em um parque de diversões : Jesus, Lúcio (que abre o filme) e Pereira, todos exonerados da polícia militar por comportamento inadequado ; um segundo, baseado nos depoimentos emocionados de Lucimar e Eremito, pais de Luis Francisco ; e por fim, um terceiro núcleo, construído em torno da figura do palhaço Alexandre, que ganha relevo depois de insistentes tentativas de aparecer durante as entrevistas dos policiais. Alexandre é idealizador do Mundo Maravilha e planeja, por meio do documentário, se inserir no universo dos programas da TV.&lt;br /&gt;O filme se vale de acentuado cinismo para criticar valores arraigados naquilo que o diretor chamou de “cultura policial”. Não se trata de ironia, pois o ironista pensa o contrário daquilo que diz, deixando entender um distanciamento deliberado entre o enunciado e a enunciação. Como caracteriza Vladimir Safatle, ironia e cinismo são atos de fala de duplo nível – cuja força performativa deriva “da distinção entre a literalidade&lt;br /&gt;do enunciado e o sentido presente no nível da enunciação” (Safatle, 2008, p.32) – mas há entre eles uma diferença decisiva. 1 A ironia afirma-se “não exatamente como uma operação de mascaramento, mas como uma sutil operação de revelação da inadequação entre enunciado e enunciação” (Safatle, 2008, p.32), mantendo&lt;br /&gt;ainda a abertura a um reconhecimento intersubjetivo (pois podemos distinguir o hiato proposital entre a literalidade do dito e sentido guardado pela enunciação). Já o cinismo, diferentemente da ironia, embaralha e dificulta propositadamente os contextos de orientação para a determinação do sentido e coloca em crise o espaço comum que nos permitiria reconhecer que não se diz exatamente o que está literalmente dito. Safatle procura demonstrar que o problema do cinismo não pode ser tomado meramente como uma contradição performativa (isto é, uma contradição entre o que é dito e como é dito), e sim como uma enunciação que anula sua própria força perlocucionária (aquilo que o dito pode provocar ao ser enunciado), mas sem romper com os&lt;br /&gt;critérios normativos. O cinismo, sublinha Safatle, é a forma de racionalidade “de épocas e sociedades em processo de crise de legitimação, de erosão da substancialidade normativa da vida social” (Safatle, 2008, p.13). Nos termos de Peter Sloterdijk, retomados e comentados por Safatle, o cinismo é uma ideologia reflexiva ou uma falsa consciência esclarecida : “A noção de ideologia reflexiva, ou seja, de ideologia que absorve o processo de apropriação reflexiva de seus próprios pressupostos é astuta por descrever a possibilidade de uma posição ideológica que porta em si mesma sua própria negação ou, de certa forma, sua própria crítica. Já o termo aparentemente contraditório falsa consciência esclarecida nos remete (...) à figura de uma consciência&lt;br /&gt;que desvelou reflexivamente os móbiles que determinam sua ação “alienada”, mas mesmo assim é capaz de justificar racionalmente a necessidade de tal ação (Safatle, 2008, p.68).”&lt;br /&gt;Tentemos mostrar como essa racionalidade cínica se manifesta em Jesus no Mundo Maravilha, coisa surpreendentemente simples (e daí seu efeito de estupefação). Do ponto de vista normativo, o filme não adere explicitamente à defesa de que “bandido bom é bandido morto” nem defende a pena de morte ; ele apenas apanha as opiniões dos personagens que elegeu, exibindo-as e amplificando-as. No entanto, no modo como trata cada caso por meio dos procedimentos da montagem (e particularmente ao lidar com os personagens dos ex-policiais), o filme se põe inteiramente à vontade para expor aquilo que, do ponto de vista normativo, ele diz não contrariar (ou, pelo menos, não frontalmente). Não se trata de denegação, de forma alguma ; nada há&lt;br /&gt;a esconder nem a mascarar. A falsa consciência está plenamente esclarecida quanto à sua alienação e a sustenta diante de nós, exposta abertamente. À primeira vista, o filme parece simplesmente acolher o depoimento e a perspectiva dos ex-policiais, mas ele está longe de se contentar com isso. A adoção do cinismo como figura estilística (e do seu efeito desorientador quanto à identificação do sentido em jogo) ganhará duas&lt;br /&gt;terríveis implicações éticas e políticas : uma em relação ao sujeito filmado, outra em relação ao espectador. Vejamos como isso ocorre.&lt;br /&gt;Em sua segunda aparição no filme, Lúcio surge lado de Jesus, no parque. Tratase de uma seqüência que se esmera na utilização do jump cut e dos recursos de montagem, em sua dimensão narrativa e plástica. Tentemos descrevê-la minuciosamente. O ex-policial começa por afirmar : “Que é que tem fazer com bandido ?”. Ele mesmo responde, fazendo o gesto com a mão de “pau nele !”. Nesse momento o filme se vale de um efeito sonoro que superpõe ao gesto de execução do bandido o som do disparo de uma arma (provavelmente o barulho amplificado da espingarda de pressão de um dos brinquedos do parque, com a qual Lúcio aparecerá em uma seqüência posterior, fazendo a mira no estande de tiro ao alvo). Intercala-se um plano dos brinquedos&lt;br /&gt;do parque, acompanhado por um zumbido contínuo e prolongado (ou o som de uma sirene atenuada, obtido por meios eletrônicos ?). Lúcio continua, empolgado: “Você já viu um ex-bandido ? Não existe ! Ex-prostituta ?”. O sujeito filmado e aqueles que o filmam riem, irmanados. Nesse momento, alguém da equipe que filma acrescenta, no espírito da brincadeira : “Ex-presidiário existe !”. Mas Lúcio prossegue, em uma seqüência entrecortada pelo uso constante do jump cut : “A munição é muito cara (...) então você tem que fazer um bom uso dela”. Novamente intercala-se o plano dos brinquedos, acompanhado do zumbido. Surge a voz over da mãe de Luís Francisco : “Eu nunca ensinei meus filhos a roubar, nunca ensinei meus filhos a matar”. Passa-se novamente para Lúcio, que depois de criticar o gasto desnecessário com a construção de presídios, afirma : “onde pegar pegou, quem dá um, dá três” (aludindo aos disparos contra os bandidos). Outra vez o filme lança mão do efeito sonoro do disparo da arma, superposto ao gesto de “pau nele !”, repetido três vezes. (Não estamos muito longe daqueles efeitos sonoros utilizados pelas “videocassetadas” exibidas pela televisão). Depois do plano em que aparece mirando com a espingarda de pressão, Lúcio conta o caso de um seqüestro-relâmpago de que fora vítima. Em certo momento, ele descreve o seqüestrador do seguinte modo : “um bitelo de um crioulo, bem servido, né, adoro, né, tenho paixão, tenho paixão”. Passagem para os planos de crianças (negras !) que brincam em caminhõezinhos, acompanhados dos respectivos efeitos sonoros. Corte para o plano de Lúcio com a espingarda de pressão. Retorno para a cena filmada. Ao lado de Jesus, Lúcio faz o gesto que indica o tamanho do peito do “bitelo do crioulo”. “Um peito imenso”, ele diz. Nesse momento ouvimos a voz do documentarista, que diz : “Lindo para você, né ? Sorrindo...” Diante dessa “deixa”, em uma dramaturgia tão amigável, Lúcio logo emenda : “Me fura, me fura, né ?” (aludindo ao bandido que “pedia” para ser executado). Em seguida, auxiliado pelo efeito sonoro de um gatilho sendo puxado (que antecede, calculadamente, o gesto), ele narra, com gozo, como o disparo no peito do seqüestrador “bateu fofo, aquele barulhinho maravilhoso”. Ele&lt;br /&gt;imita o barulho com a boca e o filme superpõe, outra vez, o barulho do disparo da arma, e logo passa para um plano no qual surge um garoto negro, de boné, em pé, ao lado dos brinquedos. É verdadeiramente obsceno esse construtivismo que vincula o relato da execução de um “crioulo” à aparição das crianças negras que brincam nos caminhõezinhos e do jovem negro com o boné ! (Somente o cinismo permite esse tipo&lt;br /&gt;de associação paradoxal !). O filme quer nos indicar que elas serão mortas em um futuro breve, ainda que inocentes ? É por isso que os planos dos brinquedos são animados fantasmaticamente por um zumbido fúnebre ? A desaceleração da imagem –em alguns planos em que aparecem as crianças se divertindo nos brinquedos – já é o indício de que a morte ronda por perto ? Mas nada disso o filme pode admitir, logo ele, tão esclarecido. É por isso que essa seqüência termina com o riso, quando Lúcio dramatiza a fala do seqüestrador prestes a ser morto : &lt;br /&gt;-“Você vai me matar ?”&lt;br /&gt;-“Você duvida ?”&lt;br /&gt;Todos riem, inclusive a equipe que filma. “É para rir também ?” – pergunta-se um espectador atônito. Talentoso e virtuoso aprendiz das estratégias do espetáculo, o filme tem o timing dos programas televisivos (de auditório ou de entrevistas) que preparam a irrupção do riso programado da claque.&lt;br /&gt;Logo após ressurge a fala da mãe de Luís Francisco, que reivindica : “Cadê a sociedade ? Cadê a autoridade ?” Ao seu modo, o filme responde à mãe ao passar para o próximo plano, que se abre com o parque onde Lúcio e sua família (e também o realizador !) se divertem nos brinquedos, embalados (graças à montagem) pelo refrão da música cantada por uma conhecida apresentadora de programas infantis da televisão, Mara Maravilha. “Maravilha é ter Jesus no coração”, diz a letra. Ao desamparo da mãe o filme responde simples e brutalmente com a derrisão, recurso que se espalha pelas seqüências como um gás venenoso, tal o desprezo do realizador pela fala dos sujeitos filmados. Porém, a despeito de tanto riso forçado (o que torna o espectador um refém do experimento conduzido pelo filme), de tanta vontade de colar e associar tudo pela montagem, evitando-se toda fratura, toda cisão de sentido, esses efeitos, tão estudados, não darão conta nem de exorcizar nem de conjurar algo que assombra o filme em uma dimensão que ele ignora completamente.&lt;br /&gt;Tudo se passa como se o medo expresso por uma das filhas do ex-policial Jesus – o de que o pai um dia volte morto do seu trabalho de segurança – retornasse para assombrar o parque de diversões.&lt;br /&gt;Em uma cena ainda no início do filme – uma das poucas não retalhadas pelo uso histérico do jump cut – a voz do ex-policial se embarga diante do temor da filha pequena). Não será por isso que, mais adiante, veremos Jesus brincar melancolicamente em um dos brinquedos ? Não seria ele também assombrado pela morte, a despeito da proteção divina (invocada diante do temor manifesto pela filha) e da arma que porta ? (Logo após o plano no qual o ex-policial se diz protegido por Deus, para acalmar a filha, o filme mostra-o com uma arma, preparado para iniciar seu dia de trabalho). Esse desalento de adulto a brincar em um balanço exprime bem mais do que a tristeza de ter sido expulso da corporação policial. Como inúmeros filmes já nos&lt;br /&gt;mostraram, o horror que surge em meio a um parque de diversões se deve ao fato de que ali os brinquedos (até então inanimados ou apenas funcionando como artefatos mecânicos) só ganham vida para trazer a morte aos que os experimentam 2. Prova de que mesmo uma montagem tão astuta como a desse filme encontra seu inconsciente, seu impensado. Como Cezar Migliorin bem lembrou, em uma carta aberta de extraordinária lucidez, destinada ao realizador de Jesus no Mundo Maravilha, o parque de diversões, tão presente nos filmes expressionistas, era o lugar “onde conviviam os sonâmbulos – aqueles que, para Kracauer, serão responsáveis pela manutenção das máquinas de morte nazistas – e os fascistas promotores da infantilização que no parque encontra possibilidades infinitas para o caos dos instintos” (Migliorin, 2009, p. 78).&lt;br /&gt;No filme de Cannito o parque de diversões é o locus de um experimento controlado. Ali os sujeitos filmados são convidados a interagir entre si e com os brinquedos, pondo em cena suas próprias crenças e valores, inseridos em uma mise en scène que o documentarista planejou meticulosamente. Revezando entre os papéis de algozes e de vítimas, os sujeitos filmados se debatem, inutilmente, nas malhas de sentido construídas pelo montador. Como buscamos argumentar, o filme se vale de uma aliança com aqueles que são filmados, para em seguida – de modo cínico – dizer deles algo que eles não sabem (ou não esperam) a seu próprio respeito. Isso vale tanto para os policiais quanto para o palhaço Alexandre, personagem que o filme explora&lt;br /&gt;de maneira mais escarnecedora. Em Jesus no Mundo Maravilha, o realizador se alia aos sujeitos filmados para depois confrontá-los pelo jogo de sentidos criado pela montagem. Aparentemente, o mérito provocador do filme, ao se valer dessa aliança (traída sistematicamente pela montagem), consistiria na inversão do tratamento que&lt;br /&gt;ele concede aos temas que elegeu, como acredita Bernardet :&lt;br /&gt;“São temas graves e urgentes que pedem tratamento sério : todos nós somos contra a violência e a arbitrariedade da polícia, e esperamos contra ela um discurso ao qual possamos aderir, um discurso consensual. Ora, não é o que acontece. Jesus no mundo maravilha é um docufarsa. E isto é chocante e bagunça aquilo em que acreditamos. Declarações favoráveis à pena de morte acompanhadas por uma alegre marchinha de Mozart ou a trilha de western-spaghetti e mais simulações engraçadas (ou espantosas), e brincadeirinhas de montagem e mais uma moralidade estupefaciente para encerrar o filme como se encerra uma fábula : é um escândalo.” (Bernardet, 2009, s/p). No entanto, para que esse efeito seja alcançado, o documentarista permite (e até mesmo estimula) a performance dos ex-policiais, exibindo ações e expressando opiniões que o filme, aparentemente, pretende criticar ou condenar. Mas isso não é feito de maneira aberta em relação àqueles que se deixam filmar. Na frente deles, na circunstância da tomada, o filme nunca propõe o conflito ; ao contrário, os ex-policiais entrevistados parecem bastante à vontade em falar com o documentarista,&lt;br /&gt;e este se esforça em inflar o imaginário deles. Isso permite a Lúcio admitir, sem constrangimento, que já matou entre oitenta e cem pessoas. Já um outro ex-policial, ex-cabo do corpo de bombeiros e hoje proprietário de uma churrascaria, defende a pena de morte enquanto se farta de carne. Nessa passagem, o filme exibe uma de&lt;br /&gt;suas muitas “piadinhas sonoras” : assim que o ex-policial defende a amputação de membros dos criminosos como forma de punição, o filme destaca o som da faca que raspa o metal do espeto do churrasco.&lt;br /&gt;Em relação a Alexandre, o filme se vale de procedimentos semelhantes. O rapaz conquista espaço no documentário de maneira inusitada e, de certa maneira, bastante ingênua. Ele acredita que o filme lhe renderia uma boa publicidade e, quem sabe, uma inserção nos programas de televisão. Suas expectativas são enormes. Diante do realizador que lhe cede espaço, Alexandre não perde a oportunidade de exibir o seu “talento”, desempenhando não apenas seu personagem, mas também sugerindo à equipe um ou outro aspecto em relação ao próprio documentário. Ele reclama de ter de ficar empurrando brinquedos, “de fazer cinquenta vezes a mesma coisa”. “Não é legal fazer papel de retardado mental. E eu não sou retardado”. “Não ?”, retruca Cannito, como se discordasse. Em seguida, o filme o exibe saltitando em uma cama elástica, ao som de efeitos sonoros típicos dos desenhos animados. Alexandre chega mesmo a criticar a “falta de criatividade” do diretor, por se apropriar indevidamente do nome Mundo Maravilha, inventado por ele. No entanto, o filme não poupa momentos em que o espectador pode rir daquele que é filmado, como no momento em que ele afirma “eu me acho um artista, um jovem muito talentoso”. Alexandre faz papel de palhaço – e não apenas literalmente. O filme zomba dele, explicitamente, e mesmo quando registra seu protesto, é para melhor “sacaneá-lo” (para permanecer no vocabulário do qual o filme se serve), expondo-o ainda mais. Ao que parece, a sutileza do procedimento crítico reside em dar a corda para que os outros se enforquem. Ou então, nas palavras certeiras de Migliorin :&lt;br /&gt;“O filme se interessa pelo palhaço e ele tem interesse em estar no filme, mas, quanto mais ele se submeter à lógica da fama, do estrelato e das celebridades, melhor para o filme. O filme deve parecer poderoso, deve parecer um filme de ficção, deve se confundir com a própria mídia que Maravilha deseja. Jesus no mundo maravilha precisa parecer o que não é para que Maravilha esteja ali da maneira como aparece. Com Lúcio, o ex-policial, e com o filme, o palhaço Maravilha se torna a vítima” (Migliorin, 2009, p.82).&lt;br /&gt;Estamos aqui no núcleo das questões que o filme suscita escandalosamente (ele não saberia fazê-lo de outro modo, pois a sua lógica é a do espetáculo). Trata-se, afinal, de um filme cuja escritura simplesmente duplica e reforça as mises en scène (as narrativas, as representações) que animam a vida social. Sua montagem soberana, indiferente a tudo e a todos, é na verdade uma serva das representações sociais estabelecidas. Diante disso, gostaríamos de indicar algumas implicações éticas e políticas dessa tradução do cinismo em procedimento estilístico.&lt;br /&gt;Se recorrermos aos quatro sistemas éticos que Fernão Ramos delineou para o campo do documentário – feitos da inter-relação entre a circunstância da tomada (quando se confrontam quem filma e quem é filmado) e os efeitos discursivos e narrativos produzidos pela montagem – veremos que o filme de Cannito se enquadra no&lt;br /&gt;modelo que o autor denomina interativo/reflexivo. Ele se distingue pela “assunção da construção do enunciar”, quando “o modo de construir e representar a intervenção do sujeito que enuncia” torna-se o modo constitutivo do filme, que o explicita tanto na adoção de procedimentos interativos no momento da tomada, quanto nos recursos de mixagem e de montagem (Ramos, 2008, p. 37). Para Ramos, esse assunção ou exibição ao vivo das articulações construídas pelo discurso é o que permite ao documentário “jogar limpo” (segundo a expressão utilizada pelo autor).&lt;br /&gt;Quanto a isso, portanto, o filme de Cannito joga limpíssimo, tal o grau de reflexividade e os numerosos procedimentos metalingüísticas dos quais se serve. Sob esse aspecto, por conseguinte, ele não contraria o campo normativo do documentário. E o que dizer então das aparições do próprio realizador ? Ele se revela à vontade no almoço na pizzaria (até olha para a câmera) quando o seu proprietário defende a pena de morte ; submete-se docilmente aos golpes de cassetete que Jesus e Lúcio lhe aplicam na sola dos pés ; ri dos feitos de Lúcio ; e como se não bastasse, participa também da batalha de paintball que encerra o filme. Nessa batalha, o realizador se imola ou se sacrifica simbolicamente no cenário de um filme de ação, assassinado pelos policiais&lt;br /&gt;que com ele brincam, e sua morte é filmada em câmera lenta. Estamos diante de um filme inteiramente esclarecido acerca dos seus procedimentos interativos no momento da tomada. Outra vez, o campo normativo não é transgredido.&lt;br /&gt;Tudo correria às mil maravilhas se as intervenções na montagem não funcionassem como um desmentido – mas que não desmente de todo, este é o seu charme crítico – aquilo que o filme alcança no momento da inscrição verdadeira, quando a máquina e o corpo filmado compartilham uma duração (não importa se o que está no centro da representação é explicitamente encenado). Podemos dizer que, do ponto de vista das suas ambições críticas, o filme promove um jogo duplo : se o realizador não hesita em interagir com os sujeitos filmados e se expor cinicamente – sendo agressivo com o palhaço, camarada com os ex-policiais – no plano da montagem ele simplesmente tira o corpo fora. Sendo o filme tão consciente de sua autorreflexividade, não entendemos porque o diretor tirou o corpo fora (literal e simbolicamente) do encontro com os pais do garoto morto pela polícia, que aparecem em um estúdio de fundo branco, neutro, deslocalizados. De todo modo, de uma forma ou de outra, o realizador se desimplica da cena do encontro filmado para garantir o funcionamento “experimental” do seu filme, no qual os personagens foram transformados em figurantes-cobaias de uma máquina retórica audiovisual. Vejamos a seqüência final do filme, passagem que exibe esse funcionamento cínico do dispositivo de modo aterrador, quando se dá o encontro entre a família do jovem assassinado e os ex-policiais.&lt;br /&gt;Com exceção dessa cena, em todo filme o casal aparece em um ambiente similar a um estúdio, isolados de outro contexto que não o próprio documentário, sem interagir com outros sujeitos. No parque, ao contrário, a família é colocada no meio de uma cena preparada para que eles assumam o papel central. Essa cena é antecedida por uma cruel brincadeira de montagem. Vemos e escutamos a mãe que, mergulhada no&lt;br /&gt;sofrimento, narra que, quase tomada pela loucura, se vê chamando pelo filho morto : “Vem filho, vem até a mãe... Vem falar com a mãe... É uma saudade muito grande e ninguém tem idéia disso (...) Ver meu filho caído...”. Logo após essa frase pronunciada em pleno pathos da perda, o filme, de forma cortante, dispara o efeito sonoro do tiro, e exibe o plano de uma criança que rola pela rampa de um brinquedo, um escorregador&lt;br /&gt;de plástico. Em seguida vem um plano com a imagem embaçada, na qual identificamos um dos brinquedos do parque, como se visto do chão, acompanhado do som grave e contínuo, que depois dá lugar a um outro, agudo, um guinchado (ou uma voz de criança distorcida na mesa de edição ?). Não poderia ser outra coisa : trata-se da&lt;br /&gt;visão subjetiva de um agonizante, baleado mortalmente.&lt;br /&gt;Depois desse choque preparado deliberadamente para atingir (é este bem o termo) o espectador, passa-se suavemente para os sons da caixinha de música que abrem a canção da banda Patu Fu e para o plano que mostra os combatentes do jogo de paintball. O diretor do filme está entre eles. Logo em seguida veremos a mesa que reúne os policiais, a família, os advogados defensores dos Direitos Humanos e também o&lt;br /&gt;palhaço Alexandre – organizados à maneira de um tribunal informal, acompanhando, inclusive, de um pequeno júri, espremido pelos tabiques do paintball. Vemos a equipe que filma, até os microfones shot gun. Mais ao fundo, um grupo de pessoas assiste ao espetáculo armado.&lt;br /&gt;Esse encontro poderia ser um grande momento do filme, pois ali os valores dos policias são criticados com contundência : é o momento em que família poderia “vingar” seu filho, defendê-lo, “esfregar” na cara do inimigo aquilo que o espectador – e talvez o próprio documentarista – pensa de grande parte de suas ações. Os policiais, em contrapartida, estão impedidos de pôr em cena seus imaginários ; pois ali eles não poderiam zombar de suas vítimas nem se vangloriar de seus feitos – não diante da dor do outro. Poderia ser o momento de um verdadeiro conflito – e não é à toa que Cannito escolheu justamente a locação do paintball para este encontro inusitado. &lt;br /&gt;No entanto, a força desse encontro logo desaparece. Tudo é esquartejado e montado paralelamente com imagens de um estranho combate no qual equipes competem entre si, alvejando seu adversário com tinta. No documentário, os policiais encenam toscamente um filme de ação, atirando uns nos outros, enquanto ouvimos a trilha sonora típica de um filme de faroeste. Efeitos sonoros de tiros e sirenes de viaturas são acrescentados, neutralizando, em larga medida, aquilo que é dito em voz over. Toda a seqüência começa com os jogadores no paintball posando para a câmera. São filmados de frente, com os fuzis de brinquedo em punho, óculos e capacetes de proteção, coletes de segurança. Em voz over, a mãe lamenta :&lt;br /&gt;“Só quem sabe o que é a dor é quem passa pelo que eu estou passando. Ninguém tem ideia do que estou passando. Ninguém. Só. Era meu filho, meu único filho que eu tinha. Tiraram a vida do meu filho, sem dó nem piedade. Eu só queria justiça. Queria que alguém fizesse alguma coisa. Pelo amor de Deus !”&lt;br /&gt;O combate é acompanhado pela música do Pato Fu, cuja letra diz : “Hoje as pessoas vão morrer/ Hoje as pessoas vão matar/ O espírito fatal/ E a psicose da morte estão no ar”... Só quando a mãe clama por Justiça é que vemos a imagem da família no parque. Sempre alternadamente, vemos a conversa no parque, seguidas de trechos do combate de brincadeira, nos quais policiais se arrastam pelo chão, escondem se atrás de tambores, de carros velhos e de outros obstáculos que lhes servem de barricada.&lt;br /&gt;O pai da vítima diz que as testemunhas do assassinato foram ameaçadas de morte. Lúcio, como o bom PM que foi, logo defende a corporação, atribuindo a um único policial a responsabilidade por aquele crime, como se esta não fosse prática corriqueira da polícia, como se ele mesmo nunca tivesse desempenhado atitudes semelhantes (das quais poucos minutos antes ele parecia se orgulhar). A mulher se revolta. O pastor aproveita a “deixa” para pregar, sugerindo à família que perdoe o carrasco de seu filho. Mas o pai retruca : “eu sei lá porque você está com essa bíblia aqui ? De repente, você cometeu um erro grave e se arrepende”. O espectador certamente concordaria, pois o filme já havia apresentado a história do pastor, que administrava penas de morte por conta própria.&lt;br /&gt;A mãe também contesta : “Não vou perdoar porque a dor é minha. Não adianta ninguém pedir. Não vou perdoar !”. O pai, acenando com as mãos (como se apontasse o dedo para o céu), conclui : “E ele vai prestar contas, um dia, pra todo mundo ver”. Sobre essa última fala é acrescentado um efeito sonoro parecido a uma badalada de sino, que concede à fala um tom profético (aproximando-o, em alguma medida, do discurso do pastor) e destituindo-o (paradoxalmente, outra vez) do sentido de reivindicação por Justiça.&lt;br /&gt;A cena termina com a seguinte fala de Alexandre, que soa como um veredicto, em coerência com a cena montada : “Uma pessoa trabalhadora, uma pessoa honesta, uma pessoa competente não merece ser morta assim de graça. Quem tem de morrer é bandido e não um cidadão de bem”. E em seguida, lemos os créditos finais. A fala de Alexandre coroa o filme com uma “moral da história” – bastante simplista, é verdade – mas que corrobora tanto a versão policial dos fatos (“bandido tem mesmo que morrer”) quanto a da família (“gente honesta não merece morrer assim de graça”). Como explicara Lúcio, existem sempre três versões para os fatos (“a minha, a sua e a real”). O filme não se decide por nenhuma delas : permanece em cima do muro, sem problematizar sequer essa definição de bandido – palavra tão corriqueira entre alguns de seus protagonistas. Ora, poderia o filme não se decidir em relação a isso ?&lt;br /&gt;Se o filme pode ser considerado um escândalo (como escreveu Jean-Claude Bernadet) isso se deve ao fato dele negar-se a assumir uma postura ética. Ao mesmo tempo em que a violência é passível de crítica, ela se torna, para o filme, motivo do riso e do gozo que se quer impor ao espectador. A escolha do cinismo como figura estilística acaba por conferir ao filme esse caráter dúbio (que não se decide entre a crítica e o escárnio). Frente à família do jovem morto, poderia o filme fazer-nos rir ? Até que ponto ele pode explorar o sofrimento do luto ? Poderia, o filme, se comprazer com a exibição dos “grandes feitos” dos policiais ? O tema com o qual o filme lida merece um tratamento mais sério, sem dúvida, mas o filme peca menos por isso do que pelo fato de se valer de uma tênue aliança com os sujeitos filmados para, logo em seguida, achincalhá-los. Tudo se transforma num experimento audiovisual articulado pelo realizador-montador. Nenhuma maravilha habita esse mundo retratado por Newton Cannito, apenas o horror, aquele que não se suporta, e que aparece, forçadamente, travestido de brincadeira.&lt;br /&gt;Por obra de uma estratégia astuciosa (que se quer inteiramente esclarecida quanto ao uso de procedimentos reflexivos tanto no momento do encontro filmado quanto no manejo da ilha de edição), em Jesus no mundo maravilha somos confrontados a um filme cuja crueldade, calculada, faz do jogo do sentido um verdadeiro tormento, com balizas estrategicamente dispostas. Com a liberdade do seu julgamento crítico e a potência dos seus afetos, o espectador deve se preparar para o pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doc On-line, n.07,Dezembro 2009, www.doc.ubi.pt, pp. 6-16&lt;br /&gt;1. Devemos a Ilana Feldman esta indicação. Cf.Vladimir Safatle, Cinismo e fa-&lt;br /&gt;lência da crítica. São Paulo : Boitempo, 2008.&lt;br /&gt;2. Como exemplo, citamos o belíssimo Disneyland, mon Vieux Pays Natal (2000),&lt;br /&gt;de Arnaud des Pallières, analisado por Jean-Louis Comolli (2008).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências bibliográficas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ADORNO, Theodor e HORKHEIMER, Max, Dialética do Esclarecimento, Rio de Janeiro : Jorge Zahar, 1985.&lt;br /&gt;BERNADET, Jean-Claude, “Jesus no mundo maravilha”.Publicado originalmente em : http ://jcbernardet.blog.uol.com.br. Disponível em : http ://jesusnomundomaravilha.blogspot.com. Consultado em :04/10/2009.&lt;br /&gt;COMOLLI, Jean-Louis, “O desaparecimento :Disneyland, mon vieux pays natal, de Arnaud des Pallières” in _____. Ver e poder, Belo Horizonte, Editora UFMG, 2008. pp. 314-320.&lt;br /&gt;MIGLIORIN, Cezar, “Jesus no mundo maravilha, uma carta aberta ao realizador Newton Cannito” in Devires - Revista de Cinema e Humanidades, V.5, n.2, Belo Horizonte, jul/dez. 2008, pp. 73-83.&lt;br /&gt;RAMOS, Fernão Pessoa, Mas afinal... o que é mesmo documentário ? São Paulo : Senac, 2008.&lt;br /&gt;SAFATLE, Vladimir, Cinismo e falência da crítica, São Paulo : Boitempo, 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmografia&lt;br /&gt;Disneyland, mon Vieux Pays Natal (2000), de Arnaud des Pallières.&lt;br /&gt;Jesus no Mundo Maravilha... e outras histórias da polícia brasileira (2007), de Newton Cannito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-5871206537488530489?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/5871206537488530489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=5871206537488530489&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/5871206537488530489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/5871206537488530489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2010/02/pergunte-aos-universitarios_02.html' title='&quot;Pergunte aos universitários&quot;'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-6274762661692508695</id><published>2009-10-07T09:34:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T09:38:33.851-07:00</updated><title type='text'>Artigo na Revista Devir</title><content type='html'>Ola amigos&lt;br /&gt;Saiu um dossie sobre documentário Brasileiro na Revista Devir. E dentro do Dossie foi publicado um artigo sobre "Jesus no Mundo Maravilha"&lt;br /&gt;Fiquei super feliz, pois é uma revista mega prestigiada e esse artigo mostra que a provocação de Jean Claude funcionou: "Jesus..." virou pauta para os debates sobre documentário brasileiro. A revista tem artigo só sobre fera: Coutinho, Salles, Tonacci... E "Jesus..." tem seu espacinho. Muito legal!&lt;br /&gt;Também na Socine 2009 (que acontece agora em outubro) teve duas comunicações que vão debater "Jesus...". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue abaixo o artigo do Cezar Migliorin na revista Devir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título: Jesus no mundo maravilha, uma carta aberta ao realizador Newton Cannito&lt;br /&gt;Autor: Cezar Migliorin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo: Carta Aberta ao realizador Newton Cannito a propósito de seu documentário Jesus no mundo maravilha (2007), produzido via DOCTV. Nesta carta discuto as estratégias formais e o lugar do realizador diante de seu objeto. Trata-se de um filme revelador da busca, por vezes desesperada, em se fazer documentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras-chave: documentário brasileiro, escritura e documentário, mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu caro Newton Cannito,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu filme Jesus no mundo maravilha é monstruoso, com as seduções que podem ter os monstros.&lt;br /&gt;Se aqui dedico algum tempo a te escrever é pelo desejo de compartilhar contigo os incômodos e o prazer que o filme me causou, de certa maneira me identifico com a tua violência no filme. A ironia, a manipulação explícita, a distância do bom-mocismo tão freqüente no documentário são aspectos sedutores. O documentário tornou-se (mais uma vez) um espaço para a pureza das boas intenções. Um problema que transforma os filmes em cenas consensuais e domesticadas. Em diversos casos assumimos o documentário moderno como farsa; das entrevistas apenas escutas passivas e sem compartilhamento, dos encontros aceitamos o encantamento ou a experiência pessoal e não coletiva, das múltiplas vozes nos basta a multiplicidade e não a diferença, da voz do outro encontramos a verdade voyeurística no lugar da fabulação, a reflexividade cede ao anedótico e à auto-indulgência. Permita-me então esta carta pública, incentivada pelas palavras de Jean-Claude Bernardet; “De duas uma: ou ignoramos a existência deste filme (e aí tudo bem), ou não a ignoramos. Se não a ignorarmos, Jesus no mundo maravilha passa a ser uma referência inevitável no panorama atual do documentário brasileiro”. &lt;br /&gt;Três ex-policiais, um palhaço e um casal sustentam teu filme. Dois dos ex-policiais, Lúcio e Pereira, são defensores de métodos violentos contra bandidos (o que inclui suspeitos). O terceiro policial se “converteu a Jesus”, o palhaço passa o filme a negociar sua participação no próprio filme e o casal chora a perda de um filho, negro, morto pela polícia.&lt;br /&gt;Na primeira seqüência, ainda no prólogo, descobrimos um ex-policial que entrou na polícia porque queria “caçar bandido”. “E todos que eu vi eu cacei”, diz ele. Lucio precisava vingar a mãe. Na segunda seqüência uma mãe fala do ódio que tem pela polícia. Seu filho fora morto por um policial, de maneira gratuita. Chorando ela finaliza: “Eu quero justiça para o meu filho e o que fizeram com ele”. Depois desses dois depoimentos que demarcam os dois lados mais explícitos do filme, ouvimos o som grave de uma tuba e o fundo branco do estúdio em que a mulher se encontra se funde com um plano fechado da boca da tuba. Nos três primeiros minutos teu filme explicita o tom e desde ali me captura. Aquelas falas não são novas, conhecemos a lógica dos policiais, conhecemos o imaginário de vingança que atravessa esse universo, assim como somos constantemente confrontados com imagens e sons de pobres que sofrem. O que há de diferente ali é a tuba; som cômico e referência ao circo. Com a tuba, o parque de diversões deixa de ser o lugar em que o ex-policial trabalha para se tornar “personagem”, comentário sobre o que estamos vendo. Parece-me que esse é o tom do teu filme; o confronto e o circo, o embate e o parque de diversões.&lt;br /&gt;A tuba provoca uma distância em relação à lógica que tu já vinhas construindo; a da oposição. Como sabes e deixas claro no filme, colocar personagens com visões de mundo divergentes em um documentário não é algo que se faz sem risco. Com muita facilidade sou levado a assumir uma das posições propostas. Os personagens perdem em complexidade e se vêem reduzidos a defensores de suas posições. As posições dicotômicas tendem a eliminar o outro lado, o filme se torna um jogo em que se aceita tudo que vem de um lado e se recusa o que vem de outro. A conseqüência maior desse efeito é a quase impossibilidade de sermos deslocados de nossos próprios lugares subjetivos. Entro no filme com uma determinada visão de mundo, e como tenho que tomar partido no filme acabo por reforçar meu lugar original baseado em nomes próprios, estáveis e identitários. Essa cristalização de lugares tende a ser ainda mais forte se os personagens escolhidos são, eles próprios, símbolos de uma determinada posição subjetiva de mundo. Mas, no caso do teu filme, há algo diferente.&lt;br /&gt;Com exceção do palhaço, que gostaria de comentar mais tarde, a escolha dos personagens segue a lógica arquetípica, eles são donos de opiniões divergentes e por vezes antagônicas sobre a violência e o combate à criminalidade, mas não é pela dialética entre essas posições que o filme irá se construir. A tuba é apenas o início de uma construção freqüentemente cínica em que com a montagem e com a música tu impedes que os discursos se confundam com o filme, é uma hipótese. Esses elementos distanciam aquelas falas do filme, mas corres o risco de impossibilitar também que elas se constituam como falas sobre as quais devamos atuar, pensar. Não sei se te lembras, mas o parque de diversões era um cenário freqüente no expressionismo alemão. Também ali conviviam os sonâmbulos – aqueles que para Kracauer serão responsáveis pela manutenção das máquinas de morte nazista – e os fascistas promotores da infantilização que no parque encontra possibilidades infinitas para o caos dos instintos possibilitando uma distância da civilização. Conclui Kracauer no clássico De Caligari a Hitler: “O parque não é liberdade, mas anarquia gerando Caos” (KRACAUER, 1988: 90). Eis a sedução infantil do parque, espaço carnavalesco de moral instável. Não é esse um problema maior do cinismo, esse desprendimento absoluto de qualquer virtude moral? O desprendimento do filme em relação ao que ouve e vê naquele espaço lúdico é tão grande que não preciso me relacionar com ele; nesse sentido, o parque é fundamental. No parque de periferia tu mergulhas cada imagem e cada entrevista em um universo propenso ao jogo, ao exagero; deslocado da realidade, como se o que fosse dito e ouvido ali não guardasse nenhuma continuidade com o exterior, com as vidas mesmo. Ali é possível a performance de si em direção ao que cada personagem acredita ser o melhor de si. Matar mais, ser o mais rápido no gatilho, o mais engraçado – no caso do palhaço. O parque parece separado do lugar em que as pessoas são julgadas, em que pese uma responsabilidade, o que vale para o próprio filme.&lt;br /&gt;Li uma entrevista  tua em que dizes que os policiais confiaram em ti. Que grande risco esse. Talvez eu apenas esteja querendo paternalizar excessivamente os personagens, mas creio que o problema do documentário é maior, não se trata apenas de confiar ou não, trata-se de um problema de responsabilidade. Quanto maior a confiança, maior a responsabilidade. Há alguém que quer falar, mesmo que isso signifique colocar o personagem em risco, no mínimo de ser preso, no risco da vida que existe depois do filme; tensão decisiva do documentário. Às vezes, ao outro nada mais resta a não ser a fala, aprendemos isso com Shoah (Lanzmann, 1985) O fato de o personagem ter confiado torna esse problema ainda mais grave. O que faz o filme? A confiança dos personagens está intrinsecamente ligada à forma como tu te confundes com os personagens, como interpretas um papel importante para que o filme aconteça. Todo documentário que se preze é um encontro entre mise-en-scènes, nesse sentido tu fazes a cena que interessa ao filme e isso é parte do documentário. Mas, como soa estranho ouvir o policial dizer que já matou entre oitenta e cem pessoas... Como pode dizer isso em público, como pode estar em liberdade? Não sei como foi para ti manter essas falas auto-incriminantes no filme, mas talvez elas só fossem possíveis no parque de diversões e na escritura – com tuba – que tu fazes. Quando o defensor dos direitos humanos começa a falar sobre a relação entre a atual violência da polícia e a ditatura, o que poderia servir de contraponto ao discurso dos policiais, tu fazes a voz dele desaparecer sob acordes de Schubert – ou seria Mozart?&lt;br /&gt;Por todos esses motivos, o filme acaba por inviabilizar que qualquer dos discursos tenha força suficiente para que possamos aderir. Nenhum dos “lados” apresentados pelo filme tem consistência suficiente para se tornar um discurso que mereça adesão, rechaço ou tomada de posição. Porém, e aqui fica minha dúvida, meu questionamento mais sincero; enfraquecidos pelo tom do filme, esses sujeitos deixam de ser representativos de lugares sociais já estabelecidos: o policial assassino, a mãe que sofre, o defensor dos direitos humanos? No lugar de complexificar os discursos e os personagens, essas estratégias de desmonte não acabam por reforçar os lugares e as lógicas de cada um desses discursos? Apesar da distância em relação ao modelo sociológico tradicional, como analisado pelo Bernardet (Cineastas e imagens do povo, 2003), o filme não traria uma rearmonização entre personagem e tipo sociológico – a vítima, o policial violento, o defensor dos direitos humanos. Uma rearmonia desencantada, descrente e irônica, bastante diferente portanto desse outro modelo em sua condição de possibilidade e escritura, mas próxima em sua nula potência política.&lt;br /&gt;Teu filme me fez pensar nos debates dos anos 60 e 70, da impossibilidade da representação, da dificuldade em se achar a palavra justa sobre o outro. Como sabemos, foi esse movimento que levou o documentário a experiências radicais de pura negatividade, de explícita separação entre imagem e objeto, como se nenhuma linha ou conexão fosse possível. Certamente teu filme não retorna a esse momento iconoclasta, entretanto ele está também distante de um humanismo clássico que parte, antes de tudo, da amizade pela palavra do outro. Creio que o efeito mais perturbador do filme está justamente aí, na freqüente descrença que tu tens pelas palavras de teus personagens. Não que elas não sejam verdade, que não exprimam formas de estar no mundo, com suas causas e lógicas próprias. A descrença está na possibilidade das palavras operarem no real, de fazerem algum efeito na pólis, uma descrença que contamina a palavra deles e o próprio filme. Por isso elas podem ser confrontadas com o carrossel, com a trilha de circo, com os jogos de guerra, com os efeitos cômicos que utilizas. O risco que me toca em teu filme está na possibilidade de ele ser uma escuta do outro e ao mesmo tempo fazer essas falas se transformarem em ruído, facilmente substituível por outro ruído. Mas, me pergunto, há escuta na tipificação? Uma pergunta genérica, mas fundamental para o documentário.&lt;br /&gt;Na já mencionada entrevista, justificas tua postura “contaminada pelo objeto” lembrando o discurso indireto livre, criado por Pasolini e longamente trabalhado por Deleuze. Entendo esse discurso de maneira diversa. Ser simpático com o policial na filmagem – não no filme – e compartilhar seu ponto de vista é uma estratégia que utilizas. Para Deleuze, pelo que eu entendo, o discurso indireto livre exerce uma função fundamentalmente desestabilizadora da linguagem. “A narrativa não se refere mais a um ideal de verdade a constituir sua veracidade, mas torna-se uma ‘pseudo-narrativa’, um poema, uma narrativa que simula, ou antes, uma simulação de narrativa” (DELEUZE, 2005: 181). No caso do teu filme, trata-se de uma estratégia, não condenável em si, mas que entendo que funciona de maneira contrária, ou seja, na estabilização dos discursos dos personagens. A simulação não é da narrativa, mas tua. A narrativa, pelo contrário, depende do discurso verídico dos personagens. Creio que só a partir dessa estabilização dos discursos o filme pode enfraquecê-los – o que os torna também possíveis e suportáveis. No discurso indireto livre há uma potencialização das falas e dos discursos que se faz justamente no momento em que ele não pertence mais a um sujeito, em que o ideal de verdade subjetiva se desfaz e, nesse sentido, acho que tua estratégia é outra. &lt;br /&gt;Caro, antes de fechar esta que seria uma breve carta sobre um filme instigante, queria voltar ao personagem do palhaço, merecedor de atenção especial. Personagem intempestivo, dos mais singulares e reveladores do documentário brasileiro, revelador de muitas características da relação da imagem com o mundo contemporâneo. Sua entrada em cena, que tu exploras tão bem, fazendo um flashback, para que pudéssemos entender aquele gesto de quem tenta, a todo custo, ocupar algum canto “não utilizado do quadro”, me lembrou outra entrada em cena, também reveladora das dificuldades do documentarista contemporâneo. &lt;br /&gt;Por que eu estou te entrevistando?, tu perguntas ao Palhaço Maravilha. Ora, essa é uma pergunta que tu deves responder! Mas o palhaço não tinha o tempo da montagem para pensar sua resposta e, sobretudo, estava submetido ao filme. Tentar responder essa pergunta duríssima já é, em si, a maneira dele colocar-se em total desvantagem em relação ao filme, o embate ali se torna muito desproporcional.  – Aí você me pegou, diz Maravilha. Desde o primeiro momento ele percebe que tu o “pegaste”, mas não desiste. Decide continuar no filme mesmo pego, submetido.&lt;br /&gt;Nas duas seqüências seguintes com Maravilha, temos dificuldade em entender o estatuto daquelas imagens. Maravilha faz pequenas cenas que são editadas com o off dos policiais. Por um lado os policiais destilam o ódio à “bandidagem”, por outro Maravilha faz suas palhaçadas sem graça. Tua relação com Maravilha parece mimetizar a relação dos policiais com os bandidos. Está aí a tua resposta ao porquê de ele estar sendo entrevistado.&lt;br /&gt;Eu sempre achei bandido ridículo, diz Lúcio, ao mesmo tempo que vemos Maravilha em uma situação patética. Não porque é palhaço, mas porque não percebe o poder ao qual está ali sendo submetido, um poder da imagem e da mídia representado naquele momento pelo filme. O filme se interessa pelo palhaço e ele tem interesse em estar no filme, mas, quanto mais ele se submeter à lógica da fama, do estrelato e das celebridades, melhor para o filme. O filme deve parecer poderoso, deve parecer um filme de ficção, deve se confundir com a própria mídia que Maravilha deseja. Jesus no mundo maravilha precisa perecer o que não é para que Maravilha esteja ali da maneira como aparece. Com Lúcio, o ex-policial, e com o filme, o palhaço Maravilha se torna a vítima.&lt;br /&gt;Você queria estar no filme? “Conseguiu!”.&lt;br /&gt;Como um lutador tu respondes ao palhaço: – Eu não te chamei para estar aqui, mas se você deseja... Então tome essa e mais essa. Tu vais assim testando os limites daquele homem banal. Em uma das mais impressionantes seqüências do documentário contemporâneo, o filme nos mostra a negociação entre vocês.  Montando paralelamente, tu colocas o estranhamento de Maravilha diante do papel que está fazendo e Maravilha com um revólver na mão, Maravilha empurrando – durante muito tempo – um brinquedo do parque, para logo depois reclamar:&lt;br /&gt;– Cinqüenta vezes a mesma coisa? Eu não gosto de empurrar brinquedo! Eu não sou retardado.&lt;br /&gt;– Não?&lt;br /&gt;Minha tentativa era te imaginar na ilha de edição, dizendo aquele “não” mais uma vez. Entendo que no momento da filmagem havia ali uma performance a ser feita. Mas é na montagem que tu afirmas que ele é retardado, que tu reiteras a violência, que tu reafirmas tua agressividade e desprezo por aquele homem. Se há uma mistura de discursos, ela está na indiscernibilidade entre a lógica do policial em relação ao bandido e a tua em relação ao ladrão da imagem; o palhaço que invadiu teu quadro. E aqui talvez tenhas razão, o discurso indireto livre se efetiva. Enquanto o bandido que mata e rouba deve ser morto, segundo a lógica de Lúcio e Pereira, o palhaço que invade o filme deve ser destruído com o próprio filme, deve ser massacrado com a imagem em que tanto deseja estar. E chegas ao final do filme com o palhaço compartilhando a mesma moral dos ex-policiais: quem deve morrer é bandido, e não cidadão de bem! Chegamos a um consenso que reúne, assim, os três discursos.&lt;br /&gt;– Eu quero meu retorno em cima de programas de televisão, é tudo, completa Maravilha.&lt;br /&gt;Se o palhaço é julgado por sua lamentável veneração aos meios de comunicação de massa, porque os ex-policiais não merecem o mesmo tratamento? Por que esses não são enfrentados? Talvez porque os policiais já sejam fracos demais, alvos demais. No filme os ex-policiais podem brincar contigo de guerra e de tortura, com o palhaço não. Com ele não se brinca, ele deve ser patético sozinho. Ainda humilhado e submetido, talvez esse pobre e torpe palhaço seja mesmo o que resta de desestabilização. Pois talvez seja na maneira como a lógica dos policiais contamina o filme e tem o palhaço como vítima que esteja o efeito monstruoso do filme. Há uma vontade de estar longe daquilo tudo, do filme inclusive. Uma distância ainda carente de ação, apenas nos colocando em contato com a monstruosidade que encarnas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu cordial abraço,&lt;br /&gt;Cezar Migliorin &lt;br /&gt;Rio de Janeiro, abril de 2009.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências Bibliográficas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGAMBEN, Giorgio. Moyens sans fins: notes sur la politique. Paris: Payot et Rivages, 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BERNARDET, Jean-Claude. Cineastas e imagens do povo. São Paulo:&lt;br /&gt;Companhia das Letras, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Mille plateaux. Paris: Les Éditions de&lt;br /&gt;Minuit, critique, 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DELEUZE, Gilles. Imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KRACAUER, Siegfried. De Caligari a Hitler, uma história psicológica do cinema alemão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1988.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RANCIÈRE, Jacques. La mésentente: politique et philosophie. Paris: Galilée,&lt;br /&gt;1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Português&lt;br /&gt;Resumo: Carta Aberta ao realizador Newton Cannito a propósito de seu documentário Jesus no mundo maravilha (2007), produzido via DOCTV. Nesta carta discuto as estratégias formais e o lugar do realizador diante de seu objeto. Trata-se de um filme revelador da busca, por vezes desesperada, de fazer documentário.&lt;br /&gt;Palavras-chave: documentário brasileiro, escritura e documentário, mídia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;English&lt;br /&gt;Abstract: Open Letter to Newton Cannito, director of the documentary Jesus no mundo maravilha (2007), produced by DOCTV. In this letter, I discuss the formal strategies of the film and the place of the director towards his object. The film is a key example of the search, sometime desperate, on doing documentaries.&lt;br /&gt;Key-words: Brazilian documentary, documentary writing, media.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Français&lt;br /&gt;Résumé : Lettre ouverte à Newton Cannito, réalisateur du documentaire Jesus no mundo maravilha (2007), produit par DOCTV. Dans cette lettre je discute les stratégies formelles et la place du réalisateur envers ses objets. Le film est révélateur de la recherche, parfois désespérée, pour que le documentaire se fasse.&lt;br /&gt;Mots-clefs : documentaire brésilien, écriture du documentaire, média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor: Cezar Migliorin é pesquisador, realizador audiovisual e ensaísta. Membro do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense e professor adjunto do Departamento de Cinema e Audiovisual. Doutor em Comunicação e Cinema (Eco-UFRJ / Sorbonne Nouvelle, Paris III).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Endereço eletrônico: migliorin@gmail.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-6274762661692508695?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/6274762661692508695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=6274762661692508695&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/6274762661692508695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/6274762661692508695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2009/10/artigo-na-revista-devir.html' title='Artigo na Revista Devir'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-224729654189760027</id><published>2007-10-02T07:58:00.000-07:00</published><updated>2007-10-02T08:04:58.208-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='patrícia rebello docblog documentário carlos mattos alice mundo maravilha jesus doc tv newton cannito'/><title type='text'>Jesus no DOC BLOG, por Patrícia Rebello</title><content type='html'>Mais um crítica sobre o Jesus no Mundo Maravilha. Esse post foi originalmente postado no DOCBLOG, do jornalista Carlos Mattos. Essa crítica foi escrita pela colaboradora Patrícia Rebello, no dia 20 de setembro, logo após a pé estréia carioca, que aconteceu na FACHA. Para ver o docblog é só clicar &lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/docblog"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Abaixo, a íntegra do texto da Patrícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUNDO LOUCO MUNDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus no Mundo Maravilha &lt;br /&gt;por Patrícia Rebello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ele está matando o Tempo! CORTE-LHE A CABEÇA!" ordenou a Rainha de Copas aos guardas. E desde esse dia, o Chapeleiro Maluco – que, para o bem da literatura não perdeu a cabeça – e seus amigos, Arganaz e Lebre de Março, estão sempre tomando chá, porque por ter o Chapeleiro brigado com o Tempo são sempre 6 horas da tarde. Ao menos foi isso o que Alice encontrou no tal País das Maravilhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena mais famosa do livro de Lewis Carrol não me saía da cabeça enquanto assistia ao documentário Jesus no Mundo Maravilha. Não por simples associação de títulos, mas porque ao criar uma lógica aparentemente normal para um discurso aparentemente louco, o filme de Newton Cannito descreve o fato de que um mundo louco pode se viabilizar como normal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus no mundo Maravilha concebe um debate ético sobre ideais e condutas que levaram três homens a se tornar – e a deixar de ser - policiais. Jesus, Lúcio e Pereira, após uma vida inteira dedicada à Polícia Militar, foram exonerados. O filme trata de suas experiências, condutas, dificuldades e observações sobre um ‘estado de coisas’ da corporação. Mas o filtro por onde passam essas estórias, a interferência do diretor sobre os discursos é o grande diferencial aqui. Cannito manipula, engendra essas vozes em uma estética ousada, deslocando dramas e falas de seus ambientes e isolando-os numa locação pra lá de controversa: o filme se passa em grande parte num parque de diversões. Dessa opção, surgem personagens que inspiram tanto atração quanto repulsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus, pai de duas filhas pequenas, e Lúcio, que buscou na profissão vingança para a morte da mãe, confessam logo no começo do filme que ser policial significava a concretização de um ideal de infância; Pereira enxergou na profissão uma licença para fazer justiça com suas próprias mãos. Na base destes discursos está uma idealização lúdica da Polícia, uma imagem mais ligada às mitologias dos quadrinhos e narrativas de ficção que a uma legislação judiciária. A pegada do filme é exatamente essa. Um parque de diversões como cenário de violência é tão surreal quanto o ‘discurso de criança’ aprisionado nos corpos daqueles homens. Isso faz de Jesus um documentário mais ficcional que qualquer ficção, onde, ao contrário daqui, o esforço está em criar uma impressão real. Se não compactuarmos com essa falta de lógica, com a forma como relações e pessoas estão sujeitas a essa falta de sentido, não conseguiremos embarcar no universo ilustrado por Cannito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa ficção desmorona quando se percebe que existe um outro lado que sente na carne que esses homens, que pensam e agem como crianças, continuam sua performance fora da tela. É duro perceber que fora do filme, nem todo efeito visual é tão engraçadinho como parece. E aí, quem cai na real é o público. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse ‘outro lado’ toma forma nas falas de Lucimar Pereira e Eremito Santos, pais de Luís Francisco, assassinado por policiais quando saía de casa, pelo simples fato de ser negro, diz a mãe. Esses dois personagens pertencem a um outro universo, não habitam o parque de diversões, mas depõem para uma câmera tendo por trás um fundo neutro. Suas falas, duras e transbordantes de dor, contrastam com as falas picarescas dos ex-PMs, ‘maquiadas’ pelo diretor ao incorporarem efeitos especiais, músicas e ambientes das locações do documentário. Na última sequência do filme, Cannito simula um tribunal, onde esses dois lados são confrontados. Às secas palavras de Lucimar e Eremito correspondem os olhares baixos e deslocados dos ex-PMs, como crianças sendo repreendidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus no Mundo Maravilha é crítica ácida e sarcástica a um regime de coisas do mundo, sem o menor comprometimento com qualquer moral politicamente correta. O diretor se arrisca em metáforas invasivas e algumas vezes maliciosas; não busca no discurso dos personagens a força do filme, mas sim ao sublinhar nas falas a ‘loucura’ daquilo que se relata como se fosse coisa simples e banal. Chutando o pau da barraca, rindo do que não se ri, seduzindo seus personagens ao colocá-los sob o foco da câmera, dando linha para a perpetuação da ilusão que ela produz, a força do filme surge mesmo é na forma de uma crítica mordaz à idéia de que uma imagem possa produzir qualquer tipo de verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-224729654189760027?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/224729654189760027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=224729654189760027&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/224729654189760027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/224729654189760027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/10/jesus-no-doc-blog-por-patrcia-rebello.html' title='Jesus no DOC BLOG, por Patrícia Rebello'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-9008356812276635528</id><published>2007-09-28T11:34:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T20:33:48.242-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jesus mundo maravilha terra magazine daniel bramatti entrevista newton cannito'/><title type='text'>Jesus no Terra Magazine</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/Rv1LSFFhxiI/AAAAAAAAABA/GdMKzu0Dzqc/s1600-h/n06+082.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/Rv1LSFFhxiI/AAAAAAAAABA/GdMKzu0Dzqc/s320/n06+082.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115327525737842210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entrevista com o diretor Newton Cannito feita pelo Daniel Bramatti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiram clicando &lt;a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1927543-EI6581,00.html"&gt;aqui!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou lendo abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em filme, ex-policial diz ter matado mais de 80&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Sexta, 21 de setembro de 2007, 15h45 &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Daniel Bramatti&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Jesus, Lucio e Pereira, ex-integrantes da Polícia Militar de São Paulo, falam abertamente sobre tortura e extermínio de "bandidos". Lucio diz até ter perdido a conta de quantos já matou, mas estima terem sido "mais de 80 e menos de 100". Pereira, evangélico fervoroso, destaca que sempre dava um minuto para que suas vítimas rezassem antes de matá-las. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três são os personagens principais de "Jesus no Mundo Maravilha", documentário que representa o Brasil na série DOCTV Ibero-América e que será exibido nesta sexta-feira, às 22h40, pelas emissoras da rede pública de TV, entre elas a TV Cultura e as TVEs. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é um mergulho na mentalidade justiceira - e nada legalista - da polícia brasileira. Por coincidência, será exibido no mesmo dia em que a Folha de S.Paulo revela indícios da existência de um grupo de extermínio formado por policiais militares em Osasco e que O Estado de S.Paulo informa que a PM paulista mata um civil por dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eles os policiais sempre acharam que a lei era uma coisa ineficaz e que, para resolver a questão da violência, são necessários heróis que se sobreponham à lei. Nisso, aliás, eles são como personagens de cinema. São como Charles Bronson, Batman e outros tipos cinematográficos. Todos querem justiça. Mas justiça além da lei", disse o diretor do documentário, Newton Cannito, em entrevista a Terra Magazine. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "mundo maravilha" do título é um parque de diversões onde dois dos ex-policiais atuam como seguranças. Neste cenário, armas aparecem como brinquedos - o que pode ser lido como uma metáfora da falta de seriedade com que o país encara a questão da segurança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Newton Cannito, um dos roteiristas da série "Cidade dos Homens", arranca as declarações mais polêmicas de seus entrevistados ao criar uma situação de camaradagem com eles, que os deixa totalmente à vontade. O tom crítico do filme é dado pela edição, que contrapõe o discurso pró-extermínio de bandidos com o lamento de pais que tiveram um filho assassinado por um PM. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia a seguir a entrevista: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como você descobriu os personagens do documentário? &lt;br /&gt;Via pesquisa de casos de ocorrências policias com vítimas. Entrevistamos vários policiais na ativa. Um deles chegou a nos mostrar um book de fotos dos corpos que ele matava. Tínhamos gravado isso, ele queria falar e dar entrevista. Mas, se falasse, seria demitido da Polícia Militar. É que a corporação, num gesto hiperdemocrático, impediu todo policial da ativa de dar entrevista para o filme. Aí tivemos a idéia de entrevistar policias exonerados. Um nos levava a outro. Jesus era amigo de um dos que entrevistamos. Lucio trabalhava com ele no parque. E assim por diante. O que fiz foi compor um leque com uma variedade de personagens e perfis diferentes entre Lucio, Pereira e Jesus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi a reação dos ex-policiais ao ver o filme? &lt;br /&gt;Muitos que viam o filme antes deles diziam que eles odiariam. Eu estava na dúvida do que eles achariam. Mas eles adoraram. Lucio, por exemplo, disse que fui correto com ele. Só botei o que ele disse. Eles percebem tudo. Lucio disse que fiz duas coisas que ele não gostou muito. Uma é um corte em que, logo depois de ele dizer quantas pessoas matou, entra Eremito (o pai da vítima) e pergunta: "Um policial desses é formado?". Ele percebeu que esse corte induz o público a pensar que Eremito falava dele. Outra coisa é que a primeira parte do filme dá a impressão de que foram Lucio e Jesus os algozes do filho de Lucimar, o que não é verdade. Mas ele não achou isso grave, pois depois o filme explica que não foram eles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo: eles entendem tudo. Entendiam desde o início que estavam cedendo sua imagem e seus personagens. E sabiam que o problema seria a edição. Mesmo assim decidiram mostrar sua imagem com coragem e contra a vontade de advogados e família. Pois eles têm muita vontade de contar sua história. Eles confiaram em mim e gostaram do resultado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hoje, infelizmente, o Estado não quer que a gente faça nada além do que está na lei." Dita por um dos ex-policiais, talvez essa seja uma frase-síntese do filme. Poderia comentá-la? &lt;br /&gt;Sem dúvida, é uma frase-síntese que mostra como pensa a corporação policial. Ela surge de uma cultura de separação entre a polícia e a sociedade. O que me impressiona é que, ao virar policiais, eles se afastam de seus antigos amigos civis. Só têm amigos policiais. Isso tudo gera uma distância entre eles e a "sociedade". E entre eles e a "lei". Eles sempre acharam que a lei era uma coisa ineficaz e que, para resolver a questão da violência, são necessários heróis que se sobreponham à lei. Nisso aliás, eles são como personagens de cinema. São como Charles Bronson, Batman e outros tipos cinematográficos. Todos querem justiça. Mas justiça além da lei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você cria situações de camaradagem com os policiais, ri quando eles defendem tortura, por exemplo. Essa técnica de entrevista não cria um dilema ético? &lt;br /&gt;Ao fazer cinema tem uma técnica chamada discurso indireto livre. Pasolini a definiu no cinema de poesia. Nela o narrador se contamina pelo objeto narrado. É o que fez Dostoievski em "Crime e Castigo", por exemplo. Ou Flaubert em "Madame Bovary". Essa contaminação é de todas as formas. Inclusive na entrevista. Sem dúvida eu me deixei contaminar pelo objeto. Foi intencional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas podem até pensar que o diretor é mau-caráter. Assim como alguns leitores podem pensar que Flaubert é realmente a Madame Bovary. Por mim, tudo bem. É o risco de tentar fazer arte. Não ligo que as pessoas pensem que o diretor não é bonzinho. Não é função do artista parecer bonzinho. Acho mais vantajoso ele expressar a sociedade contemporânea. Sinceramente, acho que consegui. Se as cenas em que a equipe se diverte com o policial incomodarem o espectador - como sua pergunta me induz a pensar que incomodou -, consegui meu objetivo. Pois apesar de o narrador ter aderido ao discurso dos personagens, o público não irá aderir. O público ficará chocado e terá uma postura crítica em relação ao discurso dos policiais militares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os policiais pró-tortura e esquadrão da morte reclamam de mudanças na polícia. Dá para concluir que algo está mudando para melhor?&lt;br /&gt;Sim. Está mudando para melhor. Ainda há muito a ser feito, mas está mudando para melhor. A formação dos policiais tem melhorado, tem incorporado a fundamental disciplina de direitos humanos e tem tentado conter essa mentalidade de guerra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda há muito a ser feito. Particularmente não vejo por que a polícia continuar sendo militar. Ser militar gera a lógica de guerra, gera perseguições entre oficiais e cabos, gera isolamento da população civil que acaba levando a violência policial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas a atentar também no que os policiais das antigas dizem. Eles dizem que agora as penalidades são tão grandes que isso acabou gerando uma nova geração de policiais burocráticos. Policiais que não vão à perifeira, pois lá tem violência. Policiais que vêem um bandido assaltar e desviam seu carro. Policiais que não querem ser policiais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pesquisei o suficiente para saber a quantidade de policiais assim. Mas é uma questão importante. Não podemos confundir cuidado em relação ao direitos humanos com inação da polícia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um debate "direitos humanos X morte aos bandidos" é quase ridicularizado pela trilha sonora do filme. Foi essa sua intenção? É um debate inútil?&lt;br /&gt;Não. É um debate fundamental. É a única saída. Infelizmente o debate sobre direitos humanos ficou restrito a poucas associações. Ele deveria contaminar toda a sociedade. Ele também não pode se misturar com ações de humanismo melodramático, como abraçar a Rocinha. Ou promover a "paz", de forma abstrata. O bom debate sobre direitos humanos não é manezinho . Não são os direitos humanos que aparecem nos estudantes da PUC do "Tropa de Elite". Esse grupo existe, mas é um movimento de direitos humanos bastante ineficaz. O bom movimento de direitos humanos deve saber que é importante prender e punir criminosos e deve procurar soluções eficazes para a política de segurança.&lt;br /&gt;Quanto ao filme e à trilha: se a trilha sobe no trecho dos direitos humanos é pelo mesmo motivo de sempre. O filme é todo construído num diálogo, com o jeito como os policiais narram o filme. É como se a narração do filme fosse construída a partir do ponto de vista dos policiais. E eles acham esse debate inútil. Vamos ampliar esse debate. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é irônico que o filme seja exibido na TV no dia em que se revela a suspeita da atuação de um grupo de extermínio em Osasco?&lt;br /&gt;Essa notícia mostra que, ao contrário do que a corporação fala, a polícia paulista continua matando. Com certeza os policias de meu filme não têm nada a ver com grupos de extermínio. Mas a cultura da corporação, que o filme retrata, continua causando fatos lamentáveis como esse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-9008356812276635528?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/9008356812276635528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=9008356812276635528&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/9008356812276635528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/9008356812276635528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/09/jesus-no-terra-magazine.html' title='Jesus no Terra Magazine'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/Rv1LSFFhxiI/AAAAAAAAABA/GdMKzu0Dzqc/s72-c/n06+082.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7293355591233456666</id><published>2007-09-25T13:29:00.000-07:00</published><updated>2007-09-25T13:34:32.167-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='marcelo coelho jesus mundo maravilha folha são paulo debate gafanhoto'/><title type='text'>Crítica Marcelo Coelho.</title><content type='html'>O crítico Marcelo Coelho compareceu ao debate sobre o Jesus no Mundo Maravilha na Casa Gafanhoto e além de fazer uma excelente intervenção junto ao querido Jorge Cunha Lima também publicou em seu blog um texto falando sobre o Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue abaixo o texto publicado originalmente no blog do Marcelo. Para ler mais coisas que ele escreve é só clicar &lt;a href="http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jesus no Mundo Maravilha por Marcelo Coelho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na próxima sexta-feira será exibido na TV Cultura, às 22h 40, um documentário bem interessante. Chama-se “Jesus no Mundo Maravilha” e foi dirigido por Newton Cannito. Participei ontem de um debate sobre o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Newton Cannito conseguiu entrevistar longamente três ex-policiais militares. Um deles perdeu a conta de quantos “bandidos” matou. Algo entre 80 e 100. Outro foi expulso da corporação e faz agora serviços autônomos de segurança na Zona Leste. O terceiro converteu-se a Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem assumir de jeito nenhum o ponto de vista dos policiais, o documentarista ganhou total confiança de seus personagens, que se mostram, como todo mundo, pessoas complexas, dotadas de suas próprias justificativas para o que fizeram, mas sobretudo capazes de sorrir, brincar, deprimir-se também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para maior distanciamento emocional, quase todas as cenas são rodadas num parquinho de diversões, onde o ex-cabo Jesus cuida da lei e da ordem. No debate, Newton Cannito conta que não tinha um programa muito claro sobre o que filmar. Mas que sabia de uma coisa: no momento em que pudesse filmar os policiais andando de carrossel, o seu documentário estaria terminado. Seria o sinal de que eles já não tinham mais nada a dizer; que estavam totalmente “desarmados”, vá lá a expressão, diante da câmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tornar as coisas mais estranhas, um palhaço, que ganha a vida divertindo as crianças do parquinho, quer de todos os modos participar do filme. É bem-recebido pela câmera, e termina participando de uma verdadeira mesa-redonda informal, na lanchonete do parque, com os ex-policiais, com três advogados defensores dos direitos humanos, e com um casal, cujo filho foi assassinado à queima roupa numa blitz da PM. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem entrar em nenhum dos cacoetes do realismo brutal-chocante, tão comuns na literatura da violência e da periferia, “Jesus no Mundo Maravilha” é muito perturbador e impressionante. Não pelo que mostra de ações policiais, mas pela ausência dessas cenas. Ficamos conhecendo, sem discurso, e sem demonização, a mentalidade dos policiais. Não é um filme contra a política dos direitos humanos, claro. Mas ajuda a entender por que essa política conhece tantas dificuldades na hora de ser posta em prática.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7293355591233456666?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7293355591233456666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7293355591233456666&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7293355591233456666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7293355591233456666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/09/crtica-marcelo-coelho.html' title='Crítica Marcelo Coelho.'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7121302221591066387</id><published>2007-09-24T08:59:00.000-07:00</published><updated>2007-09-24T09:01:55.583-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mundo maravilha jesus conversão pereira deus'/><title type='text'>A conversão do crente</title><content type='html'>Como um justiceiro se transforma em um homem de Deus? Isso é possível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouçam a opinião de Pereira, que ao viver uma experiência sobrenatural reavaliou suas opções como policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vdNP6d0dmGY"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/vdNP6d0dmGY" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7121302221591066387?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7121302221591066387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7121302221591066387&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7121302221591066387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7121302221591066387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/09/converso-do-crente.html' title='A conversão do crente'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-3117605651937193568</id><published>2007-09-13T14:43:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T20:33:48.527-08:00</updated><title type='text'>Clique no convite abaixo!</title><content type='html'>Pré estréias do Jesus no Mundo Maravilha no Rio e em São Paulo. Entraida gratuita, imperdíveis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RumvOPoWhRI/AAAAAAAAAA4/przJK03goj8/s1600-h/Mailmass_MM.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RumvOPoWhRI/AAAAAAAAAA4/przJK03goj8/s320/Mailmass_MM.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109807911477347602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-3117605651937193568?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/3117605651937193568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=3117605651937193568&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/3117605651937193568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/3117605651937193568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/09/blog-post_13.html' title='Clique no convite abaixo!'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RumvOPoWhRI/AAAAAAAAAA4/przJK03goj8/s72-c/Mailmass_MM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-4712816431040564112</id><published>2007-09-13T13:53:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T20:33:49.016-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RumjYvoWhQI/AAAAAAAAAAw/t0ihyBmVKOI/s1600-h/e-mail_mm_web.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RumjYvoWhQI/AAAAAAAAAAw/t0ihyBmVKOI/s320/e-mail_mm_web.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109794897726440706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-4712816431040564112?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/4712816431040564112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=4712816431040564112&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/4712816431040564112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/4712816431040564112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/09/blog-post.html' title=''/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RumjYvoWhQI/AAAAAAAAAAw/t0ihyBmVKOI/s72-c/e-mail_mm_web.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-8237358061752400934</id><published>2007-09-13T12:50:00.001-07:00</published><updated>2008-12-10T20:33:49.150-08:00</updated><title type='text'>Convite!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RumU1voWhPI/AAAAAAAAAAo/s3sbHlvZj8I/s1600-h/e-mail_mm+copy.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RumU1voWhPI/AAAAAAAAAAo/s3sbHlvZj8I/s320/e-mail_mm+copy.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109778903268230386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-8237358061752400934?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/8237358061752400934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=8237358061752400934&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/8237358061752400934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/8237358061752400934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/09/convite.html' title='Convite!'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RumU1voWhPI/AAAAAAAAAAo/s3sbHlvZj8I/s72-c/e-mail_mm+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-8904090709117414245</id><published>2007-09-10T06:05:00.001-07:00</published><updated>2007-09-10T06:15:26.376-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Newton Cannito Carlos Alberto Mattos doc tv Jesus no Mundo Maravilha Cultura TVE'/><title type='text'>Crítica!</title><content type='html'>O Doc Blog do Globo.com fez a primeira crítica sobre o DOC TV IberoAmerica. O texto de Carlos Alberto Mattos fala sobre os dois primeiros filmes a serem exibidos, o boliviano Inal Mama de Eduardo Lopez, e também o nosso Jesus No Mundo Maravilha. Para quem quiser basta clicar &lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/docblog/"&gt;aqui&lt;/a&gt;, é o post do dia 06 de setembro. O Permalink para quem tem conta no globo online é &lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/docblog/post.asp?cod_Post=71964&amp;a=74"&gt;este.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o Carlos captou bem o clima que o filme quer passar. Mas o que eu achei mesmo engraçado foi ter colocado em cheque a veracidade do querido Palhaço Maravilha. Ele é real. E muito!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-8904090709117414245?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/8904090709117414245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=8904090709117414245&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/8904090709117414245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/8904090709117414245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/09/crtica.html' title='Crítica!'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-2524269773905627388</id><published>2007-09-04T13:03:00.000-07:00</published><updated>2007-09-05T10:06:22.241-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='palhaço maravilha polícia nóia tv'/><title type='text'>Um palhaço muito noiado</title><content type='html'>O Palhaço Maravilha mostra sua verdadeira face com uma edição bem humorada das cenas que não entraram no filme. Vida de palhaço não é fácil. Cair na água, pintar crianças e empunhar armas estão dentre suas atividades como participante do filme. Apenas mais um sacrifício pela fama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XtoUqcOwTrU"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/XtoUqcOwTrU" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-2524269773905627388?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/2524269773905627388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=2524269773905627388&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/2524269773905627388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/2524269773905627388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/09/um-palhao-muito-noiado.html' title='Um palhaço muito noiado'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-8196182054506684762</id><published>2007-08-30T14:30:00.000-07:00</published><updated>2007-08-31T06:51:45.629-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vídeo youtube lúcio polícia são paulo charles bronson itaquera'/><title type='text'>O Charles Bronson de Itaquera</title><content type='html'>Vídeo onde Lúcio dá suas opiniões sobre a vida e a prática policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/F0HcmWdXRr8"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/F0HcmWdXRr8" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-8196182054506684762?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/8196182054506684762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=8196182054506684762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/8196182054506684762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/8196182054506684762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/08/o-charles-bronson-de-itaquera.html' title='O Charles Bronson de Itaquera'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7690986024709154435</id><published>2007-08-24T09:53:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T09:59:28.063-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='exoneração polícia demissão Jesus'/><title type='text'>A Triste História Da Demissão de Jesus</title><content type='html'>Fui motorista de dois coronéis, durante muito tempo e ninguém mexia comigo.  Ninguém mexia comigo. Foi eu denunciar o que aconteceu  comigo na Rota, ai começou a perseguição. Tinha uma determinada época que o pessoal dava choque nas pessoas. O pessoal queria dar choque em mim, não aceito. Era brincadeira que eles faziam e eu não aceitava esse tipo de brincadeira. Eu já tinha uma moral , chegar e dar choque em vc? Nem em bandido eu acho correto fazer isso, eu não aceito! Nem em vagabundo eu aceito. Eu tive uma arritmia cardíaca e acabei indo para o hospital por causa de choque. Depois que eu denunciei o policial que estava junto , começou a perseguição. Nove anos atrás. Depois disso daí arrumaram uma coisa para eu ir embora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui nem julgado, o que deu problema pra mim foi a prevaricação. Houve um inquérito policial militar, esse inquérito policial militar eu entrei como testemunha de  acusação. Não entrei como indiciado. Eu tava acusando os polícia que estavam acharcando, fui demitido . O polícia civil que tava envolvido não foi demitido até hoje e continua trabalhando normalmente, o que pediu dinheiro. Eu fui mandado embora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caras queriam dinheiro (...) chamou os policiais e eu e colocou o meu indiciamento(...). Eu tinha que prender o PM.  A Pm deu a entender que eu prevariquei. Minha obrigação era prender ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Lúcio foi acusado de uma coisa que até hoje o ladrão nega. Não foi prisão em flagrante, não foi nada. O que prevalece hoje é a voz dos oficiais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7690986024709154435?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7690986024709154435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7690986024709154435&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7690986024709154435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7690986024709154435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/08/triste-histria-da-demisso-de-jesus.html' title='A Triste História Da Demissão de Jesus'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-2526492366391829636</id><published>2007-08-20T08:01:00.000-07:00</published><updated>2007-08-20T08:03:56.363-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='demissão polícia jesus'/><title type='text'>O Pior dia da minha vida</title><content type='html'>Quando a gente é demitido a gente chega na polícia para trabalhar normalmente. No meu caso foi o comandante do batalhão na época que veio conversar comigo, por que o comandante da companhia não queria conversar comigo, por que sabia da minha situação, sabia que eu gostavas muito da polícia, né.... Então ele não teve coragem . Além de ser meu amigo pessoal , ele não teve coragem... Quem veio conversar comigo foi o próprio comandante do batalhão, major na época, veio conversar comigo. Ai ele falou , olha Jesus , infelizmente saiu a sua demissão e hoje vc tem que  entregar tudo. Foi o dia. Desarmei , entreguei a arma , a funcional, colete , a farda , esse foi o pior dia da minha vida. Pra quem gosta, ser demitido da polícia militar é a pior coisa que tem , agora pra quem não gosta: aconteceu, aconteceu, olha entendeu? Mas eu estava acostumado a prender bandido,  mandar bandido na cadeia. Se vc for na delegacia, correr atrás de boletim de ocorrência, vc vai ver, tem um monte de ocorrência minha entendeu? Só que infelizmente , né meu, aconteceu. Sai da minha casa para tentar ajudar uma pessoa de folga e acabei me prejudicando. Mas isso é assunto para outro post.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-2526492366391829636?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/2526492366391829636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=2526492366391829636&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/2526492366391829636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/2526492366391829636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/08/o-pior-dia-da-minha-vida.html' title='O Pior dia da minha vida'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7404731351194978947</id><published>2007-08-15T06:55:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T20:33:49.290-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RsMIaCkiuFI/AAAAAAAAAAg/GD1DDkKIYbQ/s1600-h/n06+139.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RsMIaCkiuFI/AAAAAAAAAAg/GD1DDkKIYbQ/s320/n06+139.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098928446573295698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mundo cão, ao mundo maravilha tem coisas que nunca mudam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7404731351194978947?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7404731351194978947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7404731351194978947&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7404731351194978947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7404731351194978947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/08/do-mundo-co-ao-mundo-maravilha-tem.html' title=''/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_BgyAJHmKGgg/RsMIaCkiuFI/AAAAAAAAAAg/GD1DDkKIYbQ/s72-c/n06+139.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7053133801509028749</id><published>2007-08-10T17:10:00.001-07:00</published><updated>2007-08-10T17:14:55.410-07:00</updated><title type='text'>estou feliz!</title><content type='html'>Fiquei muito feliz com os comentários de meus primeiros amigos. Primeiro amigo afinal, a gente nunca esquece&lt;br /&gt;Memoria ativa é quase meu irmão. Soube até que papai já uma epóca trabalhou com o papai dele. Obrigado pelo incentivo, caro memoria ativa. Fico feliz de ter amigos nessa dificl fazer que estou passado, uma fase de indefinição e entrada na vida adulta.&lt;br /&gt;Também adorei o comentário do amigo Gafanhoto. Visitei seu site e adorei. Cara, soube que papai ainda trabalha com seu pai? legal, temos que nos falar mais. Vou sim estar aí em breve, já em setembro para me exibir publicamente em sua linda residencia.&lt;br /&gt;Quanto ao colega Anderson me preocupou um pouco as suas dúvidas sobre minha sexualidade. Não sei se deu para entender errado: mas eu sou é macho, mermão!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7053133801509028749?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7053133801509028749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7053133801509028749&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7053133801509028749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7053133801509028749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/08/estou-feliz.html' title='estou feliz!'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7212990262637331351</id><published>2007-08-10T17:08:00.000-07:00</published><updated>2007-08-10T17:09:02.273-07:00</updated><title type='text'>quem sou eu?</title><content type='html'>Meu nome é Jesus no Mundo Maravilha. Meu sobrenome que é "outras historias da policia brasileira"&lt;br /&gt;Eu sou um documentário de televisão. &lt;br /&gt;Para ser sincero, eu estou meio em dúvida com essa identidade de documentário. Eu acho que catalogar os filmes em gêneros acaba restringindo a nossa liberdade individual Na minha opinião cada filme tem a liberdade de ser o genero que ele mesmo quiser. Pois se eu quiser ser ficção, o que que tem?, pois gênero é opção de vida e  não uma (e bla..bla..bla)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7212990262637331351?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7212990262637331351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7212990262637331351&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7212990262637331351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7212990262637331351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/08/quem-sou-eu.html' title='quem sou eu?'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132670937784195306.post-7757031174102442173</id><published>2007-08-09T15:12:00.000-07:00</published><updated>2007-08-09T15:18:40.292-07:00</updated><title type='text'>Jesus no Mundo Maravilha</title><content type='html'>Meu nome é Jesus no Mundo Maravilha. Também tenho um sobrenome que é "outras historias da policia brasileira"&lt;br /&gt;Pessoalmente achei meu nome meio grande, mas meu criador me explicou que gosta de comédias italianas e elas costuma ter nomes grandes. Bem, com o criador não se discute. Mas eu quero dizer que estou aberto a qualquer um que quiser me chamar por apelidos.&lt;br /&gt;A maioria dos que me conhecem tem me chamado só de Mundo Maravilha. Mas estou aberto também a outros apelidos.&lt;br /&gt;Bem eu ainda não disse, mas eu sou um documentário. Um documentário de televisão. Faço parte da família do doctv iberoamerica.&lt;br /&gt;Para ser sincero, eu também fiquei meio em dúvida também com essa identidade de documentário. Acho essa coisa de catalogar os filmes em generos algo muito restritivo e que restringe a liberdade de escolha de um filme. Acho que cada filme tem a  liberdade de ser o genero qeu ele mesmo escolheu. E se eu quiser ser ficção, o que que tem? Genero para mim é opção de vida, não é uma questão de como eu nasci.&lt;br /&gt;O que mais me irrita é que apesar de já estar vivo, ainda nem fui lançado. Ainda não fui apresentado a sociedade. Mas vou ser em breve.&lt;br /&gt;Esse blog, como todos os outros do mundo, é para eu promover a mim mesmo.&lt;br /&gt;Começo a fazer isso no próximo post.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132670937784195306-7757031174102442173?l=jesusnomundomaravilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/feeds/7757031174102442173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4132670937784195306&amp;postID=7757031174102442173&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7757031174102442173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132670937784195306/posts/default/7757031174102442173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jesusnomundomaravilha.blogspot.com/2007/08/jesus-no-mundo-maravilha.html' title='Jesus no Mundo Maravilha'/><author><name>Confidencial</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11372086458744239926</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
